Resistência

Um dos capítulos mais atraentes da história dos grandes líderes mundiais é a do general francês Charles de Gaule. Em 1940, não se entregando aos nazistas que tomaram a França, refugiou-se na Inglaterra. De Londres, como um exilado, com o famoso discurso pela BBC (há quem garanta que foi Churchill quem escreveu) convocou o povo francês a resistir a Hitler. Demorou quatro anos, mas a França foi libertada pelos Aliados.

Paulo André, aquele que foi zagueiro do Atlético e do Corinthians, me faz lembrar do general francês. No momento mais importante do movimento dos jogadores através do “Bom Senso”, Paulo, o grande líder, foi jogar na China, todos sabem. Não faltou quem afirmasse que estava fazendo um negócio: trocando os ideais de comandar a revolução que restaure a dignidade do futebol brasileiro, pelo dinheiro dos chineses.

Eis que Paulo André reaparece em cena. Não tem o microfone da BBC como tinha de Gaule, mas tem o blog do Juca, para comandar a resistência dos jogadores e torcedores ao estado de podridão que foi remetido o futebol brasileiro. De lá manda cartas, que transmitem a certeza de que os clubes, com a lei que tentam aprovar, continuarão contaminados com os desvios éticos, que estão derrubando as suas estruturas.

Resumiu tudo com a mesma categoria que joga em campo, com um único adjetivo ao comando desse processo, mas dirigido a todos: espertalhão. A maioria dos dirigentes, que corre para aprovar a lei que parcela a dívida sem a responsabilidade em troca, é formada pelos mesmos que endividaram os clubes.

Com suas orações por cartas, mostrando o caminho certo e denunciando as intenções imorais, Paulo André mostra a sua grandiosidade de homem. Será criticado, mas aí, se tornará maior ainda, e lembrará Oscar Wilde: “Ser grande significa ser incompreendido”

Exceção

A propósito, qual o tratamento que a lei que os clubes comandados por Vilson Ribeiro de Andrade correm para aprovar darão ao Clube Atlético Paranaense? O Furacão tinha a obrigação de pagar tributos e as suas contas. Mas tinha a obrigação de fazer tudo isso e construir o que construiu em 18 anos para o futebol brasileiro? Qualquer dia eu volto a esse assunto, embora frise desde já: o presidente Petraglia deveria intervir. O Atlético tem legitimidade para reclamar algum benefício. Aliás, se alguém tinha que comandar esse processo era o Furacão.

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