Com o tempo, nós, torcedores, fazemos uma tramoia com nossos sentimentos: esperamos um determinado jogo armado do espírito de derrota, mas no fundo armazenamos ilusões e esperanças na vitória. Quer dizer: estimulamos a sensação do impossível, com a esperança de vê-lo realizado.
É mais ou menos assim que se sente o torcedor do Atlético. O Furacão joga no Mineirão, contra Cruzeiro, líder por ser o melhor time do Brasil e candidato maior ao título. É razoável ter a derrota como um fato absolutamente natural.
Já fui assim, mas mudei. O futebol já não é mais previsível como antigamente. As influências táticas, físicas e psicológicas sobre o talento do jogador tornaram relativa até o princípio lógico pelo qual ganha o melhor.
E o Atlético vai para o jogo com uma perspectiva mais otimista.
Nem tanto pela vitória em si contra o Vitória, mas pelo jogo que vem fazendo desde que Claudinei Oliveira assumiu o seu comando. De repente, a esperança interior desarma o derrotismo e o Atlético sai do Mineirão com um resultado que o equilibre no campeonato.
Cara de pau
Enquanto havia risco do Atlético ser denunciado por suposta irregularidade na condição de Gustavo, e daí perder 6 pontos, o advogado Domingos Moro dizia que “havia aconselhado a não escalar o jogador”.
Depois que o risco foi superado, deu entrevista dizendo que ele “aconselhou a diretoria a ter uma declaração da CBF”.
Uma declaração da CBF não vale como prova. A entidade não tem capacidade legal de interpretar a lei. Essa pertence ao julgador, ao STJD.
Gustavo tinha condições não em razão da declaração da CBF, que em um julgamento seria desprezível. Tinha condições porque a lei assim declarava.