Repetição

Há pouco dias Mário Celso Petraglia, que anda em paz com a imprensa paranaense, deu uma entrevista que no mínimo foi curiosa: vai terminar a Arena, mas não sabe quando; que vai continuar vendendo jogadores, e que não quer mais saber de torcedores, mas sim de consumidores.

A curiosidade está no fato da repetição. Leia uma entrevista de Petraglia dada há um ano atrás, e compare com esta entrevista de hoje. Nada mudou: conceitos e propostas são rigorosamente iguais, o que em tese não deixa de ser bom, porque conceitos e propostas deram certo até agora.

De todas as respostas, uma apesar de ser velha, continua provocadora: é a que despreza o torcedor como pressuposto da existência de um clube, para valorizar o consumidor.

Ninguém pergunta para Mário Celso qual é o conceito de consumidor no futebol? É o consumidor comum, que simplesmente atende uma necessidade pessoal ou um apelo publicitário? A posição pode não estar errada, mas está imprecisa em razão de não ser completa.

O consumidor no futebol não é provocado apenas pela existência do bom produto e do seu apelo comercial. O produto não atrai só em razão da sua qualidade, que passa a ser um elemento acessório. O único elemento capaz de provocar o futebol como negócio de consumo, é o torcedor ainda em fase passional. Ofereça-lhe um grande time, dê-lhe ídolos, realize conquistas, que o consumidor surgirá naturalmente. Ás vezes irá além, tornando-se pródigo.

É princípio empresarial do futebol, que levou um grupo americano a comprar o Manchester United: sem paixão não se vende produtos no futebol.

A resposta de Mário ou está incompleta ou está desatualizada.

De primeira

Disse Cuca que não há vitória jogando bonitinho. Talvez no fundo o treinador não pensa assim, apenas usou a velha convenção para justificar o drama pelo qual o Coritiba passou para ganhar do lanterna Atlético Mineiro. Presumo isso, porque se for um princípio definitivo de treinador, Cuca está na contramão da nova ordem do futebol. *** Se o árbitro concorreu para a derrota do Atlético em São Caetano, foi na mesma proporção de Lopes. A recomposição de um time que fica com dez não se dá necessariamente com a exclusão de um atacante.

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