Renúncia

O gesto de renúncia a um cargo de interesse público, como é o de presidente de um clube de futebol, não pode ser dependente de uma motivação interior da pessoa. É que, às vezes, o orgulho próprio alcança o estágio de vaidade, impedindo que prevaleçam as circunstâncias mais importantes que interessam à coletividade.

Há quase um clamor dos tricolores a favor de um grupo que se dispõe dar amparo financeiro ao Paraná, sob a condição de Rubens Bohlen renunciar à presidência. Não quero dizer, e nem tenho o direito de fazê-lo, de dar uma opinião sobre o que é melhor para Bohlen. Respeito-o. Mas quero dizer, e tenho o direito de fazê-lo, de dar uma opinião sobre o que é melhor para o Paraná. E não digo com opinião pessoal, mas com dois exemplos históricos ocorridos em 1995.

O Atlético estava já caminhando para a insolvência, e seu presidente, Hussein Zraik esgotado financeiramente. Após a histórica goleada para o Coritiba (5×1), Petraglia quis assumir, e para isso Zraik tinha que renunciar. Com espírito de renúncia que mostra a grandeza do homem, Zraik renunciou. Com Adur e Fornea, Petraglia fez a revolução.

O Coritiba estava quase quebrado. Todas as fontes de dinheiro estavam fechadas e Evangelino sozinho, não conseguindo mais administrar o clube. Pela renúncia de Evangelino, Joel Malucelli, Sérgio Prosdócimo e Edson Mauad assumiriam. Evangelino que era Evangelino renunciou. O Coritiba foi salvo.

Eu entendo o presidente Bohlen. O egoísmo e a vaidade, às vezes, integram o ser humano como interesses próprios. E, às vezes, mesmo sem perceber, os usamos como proteção até que vem a consciência de que estamos errados. E, é aí que o homem tem que mostrar o seu espírito de grandeza, que é a renúncia. Não a renúncia a cargo, mas a renúncia à esses sentimentos, que nos impedem, às vezes, ter consciência do que é bom ou do que é mau.

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