Reinado eterno

Para definir Romário, os brasileiros investigaram as suas múltiplas qualidades. Procurando alguma diferença, procuraram conciliá-las. Talvez, na falta de inspiração, todas foram remetidas a um único conceito: craque.

Dar a identidade de craque a Romário, seria vulgarizá-lo nesses tempos. Para alcançar o conceito de craque, basta ser um jogador, não necessariamente um grande jogador. Produz-se craque quase que diariamente, às pencas para atender os interesses do mercado.

Então, se ser craque é ser vulgar, o que foi Romário?

O rei da área, respondeu o holandês Cruyff, que para ser um dos maiores do mundo na época de Pelé, precisou ser gênio.

O pedaço de campo para muitos craques pode até ter sido maior. Mas ninguém reinou no pequeno espaço da área como Romário. Foi tão fantástico, que a área parecia ser o pedaço maior do campo, às vezes, era o próprio campo, de gol a gol.

Coincidência

Por coincidência o jogador Dagoberto apareceu no CT do Caju como que querendo dizer: ?Estou aqui?. Ouvi insegurança em suas palavras. Sem a naturalidade de falar o que sente, foi vazio em argumentos. Resumindo, disse que está fazendo o que foi programado.

Foi mal programada a aparição de Dagoberto. A sua oração foi pessimamente orientada. Provocou ainda mais desconfianças sobre o seu joelho operado.

O menino não tem culpa. Está sendo transformado em refém dos mais diversos segmentos que têm interesse em sua carreira. Quem deveria explicar o estado de Dagoberto é um médico, que esteja convencido sobre a correção do tratamento cirúrgico que recebeu nos Estados Unidos. Sabe-se que Dagoberto viajou para ser operado por um profissional, mas foi operado por outro. Apenas um médico pode e tem que vir a público para explicar o atual estado de Dagoberto, criar o convencimento de que está tudo bem.

Do contrário, pode se presumir que está tudo mal.

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