Estou de volta à Tribuna do Paraná. Lembro Fernando Pessoa: “Outrora era daqui e hoje regresso”.
Não há como dissociá-la da minha vida. As curtas pausas tornam-se insignificantes diante dos 50 anos contínuos vividos. O sentimento que tenho é o do jogador que volta para encerrar a carreira no time do coração. E como um presente inesperado, a volta acontece no dia do seu aniversário. Aqui comecei e aqui quero terminar.
A volta coincide com o maior jogo até aqui em Curitiba, em 2026: na Baixada, às 19h30, Athletico x Palmeiras.
De um lado, o Furacão que há três meses, mantém-se em terceiro lugar no Brasileirão. O que era uma surpresa por ter vindo de uma Segundona, tornou-se a certeza que voltou a ser o único clube capaz de intrometer-se e ficar entre os “tradicionais”.
Do outro lado, o Palmeiras, uma potência técnica e financeira, que com o Flamengo provoca já há anos uma “espanholização”. Outra vez, com o Flamengo, continuará decidindo a Libertadores e o Brasileirão.
O que esperar do Athletico nesse jogo?
O treinador Abel Ferreira, já respondeu: o futuro do Palmeiras, no Brasileirão, depende desse jogo na Baixada para no confronto direto, decidir com o Flamengo.
Se há esse respeito, independentemente das diferenças individuais entre os dois times, a influência do ambiente da Baixada, em tese, torna um jogo de iguais.
Sei que futebol não é feito de teses, mas de fatos. E há um fato que o Furacão tem que superar: a sua defesa não pode ser tão acessível como vem sendo neste Brasileirão. Esse é um jogo em que para o Athletico a melhor defesa não é o ataque com Viveros, mas, literalmente, a sua defesa. E o treinador Odair Hellmann que é um especialista no jogo de velocidade e ataque, deve saber, também, arrumar uma defesa. Espera-se.
Para o retorno ser completo, só falta o Furacão ganhar.
Coritiba e os números
Perdendo de vista a última vez que ganhou, o Coritiba joga em Belo Horizonte contra o Atlético Mineiro com uma incômoda companhia: a máquina de calcular como todo o time angustiado com a zona do rebaixamento.
Entendo que uma derrota para o Galo terá mais influência emocional do que matemática. É de se presumir que o coxa de bom senso coloque uma derrota na conta negativa. A solução que ganho de mais seis pontos passa pelos jogos no Couto Pereira, em especial, contra Grêmio e Vitória.
