Quando o leitor procura por uma opinão o faz na confiança de que o cronista foi testemunha do fato. Exemplo: se eu afirmo que fui ao Janguitão e vi o Atlético empatar com o Rio Branco (1 x 1) pelo Estadual, o leitor vai acreditar.

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Escrever a história de um jogo de futebol é como Toquinho ensina “construir um castelo”, em sua imortal Aquarela. Uma crônica sobre um jogo de futebol não é colher um comentário de rádio, fazer um jogo de palavras, presumir como foi, o que no Paranaense é fácil, pois são todos iguais e medíocres, e pronto: tem-se a crônica perfeita e acabada.

Quero dizer que não fui ver o Atlético. Mas, no entanto, me sinto autorizado a escrever sobre o que lá aconteceu e que irá acontecer. O sentimento do torcedor está sendo vitima de uma fraude. Sem metáforas, o time anunciado como sub-23 parece ser um sub-30. Um time que junta Bruno Costa, Héracles, Renan Foguinho, Pablo, Edigar Junio parece jovem, mas é um time de jogadores envelhecidos. Seja por que já foram testados e não provaram qualidade, seja por que já foram queimados. Se há esperança em Taiberson e Guilherme, será sufocada como foram esses velhos jovens por times medíocres nos quais foram lançados.

Essa é outra prova de que o Atlético está deixando de ser um valor de vida da torcida para virar um negócio de família. Esse é o motivo fundamental que explica a versão esportiva do AI-5. A liberdade de expressão dentro do Atlético, pelo Atlético e em razão do Atlético, virou um bem supérfluo. É regime totalitário puro. A imprensa foi calada, calaram-se todos os profissionais.

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Esquece que o futebol é outro mundo. Sem time e sem vitórias qualquer regime cai, por que a torcida ninguém cala.