Referências

O Atlético já foi lanterna do campeonato. E não foi um lanterna qualquer: jogava e perdia, jogava e perdia. E foi perdendo tanto, que quase acreditou que esse era o seu ano de desgraça. No entanto, eis o Atlético: está em oitavo lugar, já passou dos cinqüenta pontos ganhos, atravessa o seu melhor momento do campeonato, e no mínimo ganhará uma vaga para a Copa Sul-Americana.

É inevitável usar o Atlético como ponto de referência ao Coritiba, que vive com toda a intensidade o drama para não ser rebaixado. O Atlético, como ocorre com os grandes clubes bem administrados, soube lidar com o estigma da derrota. Enfrentou-a a partir da consciência de seus erros e dos seus limites. Consciente de que o fracasso não era produto aleatório provocado pelo acaso, deu o tratamento exato para que ele fosse afastado. Em nenhum momento dessa fase, o Atlético mostrou desespero, transferindo o ônus para a arbitragem.

A partir daí alcancemos o Coritiba. Desde o início já se sabia da fragilidade do seu time, que era mascarada, porque seu treinador Antônio Lopes sabia o que tinha em mãos. Quando Lopes saiu, rasgou-se a máscara. Com o inseguro Cuca, as deficiências na falta de um esquema, tornaram-se ainda mais ostensivas. O resultado esta aí: quase na linha da pobreza, o Coritiba matematicamente luta contra o rebaixamento. O mais grave é que não está sabendo lidar com a derrota. Ao invés de ganhar consciência de sua fragilidade individual, transfere a responsabilidade para a arbitragem; ao invés de atacar o mal com o investimento em um grande treinador, busca no discurso pastoral de Márcio Araújo, a última esperança.

A impressão imediata, que pelos antecedentes e pelas circunstâncias, é a de que Coritiba já está sacrificado. O que vai tentar, agora, é o milagre de salvar-se neste mesmo campeonato.

Bem resumido, o Coritiba precisa mostrar que é grande, assim como o Atlético mostrou.

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