Quando um time se afunda e fica próximo da zona de rebaixamento, o que não falta é um disse me disse. E aí, o dirigente se obriga a procurar razões para desmentidos. Só ontem, o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, presumo meio atordoado, teve que desmentir dois: o prêmio extra para os jogadores não deixarem o clube ser rebaixado e o de que Felipe Ximenes, o gerente de futebol, seria demitido.
A derrota subtrai qualquer razão, torna submissa qualquer autoridade. No futebol, às vezes, a derrota é mais valorizada para motivar a prática de um ato do que várias vitórias. É a lei ditada pelas arquibancadas.
O que não se pode negar é a exposição que Vilson se propôs ao bancar a renovação do comando técnico pela idade. Marquinhos Santos tem seu valor, mas não para o momento em que se exige experiência. Mas a proposta fica, ainda, mais comprometida, quando se vê a imagem de Tcheco na televisão, sem nenhuma discrição, parecer que é quem dá as cartas. No futebol não se investiga se a intenção é boa ou não. No fracasso, basta tê-la.
Então, se daqui alguns dias ouvirem falar que o Coritiba prometeu prêmio extra para fugir do rebaixamento, e que a cabeça de Ximenes foi entregue de badeja em beneficio do clube, não estranhe. Por mais autoridade que tenha Vilson, não deixa de ser um refém de resultados, como é todo o dirigente no futebol.
E tudo só pode ser resolvido com uma vitória contra o São Paulo, que tem Rogério Ceni, no gol; Rhodolfo e Tolói, na zaga; Jadson, no meio-campo; Luiz Fabiano, Osvaldo e Lucas, no ataque. E Ney Franco no banco.
De primeira
Se o Coritiba cair para a Segundona, o Atlético não subir para a Primeira e o Paraná cair para a Terceira (ou ficar na Segunda) haverá consequências terríveis para o mercado de trabalho no rádio e no jornalismo esportivo de Curitiba. O mercado, que já é estreito, será naturalmente reduzido.