Por escrito, o governo do Estado havia concordado em pagar um valor igual ao Atlético para a construção da Baixada. A única condição exigida foi a transferência dos direitos sobre as quotas de potencial construtivo à favor da Fomento, com quem o município de Curitiba concordou.
Não obstante a condição exigida ter sido satisfeita pelo Furacão, a Fomento sentou em cima do acordo. Um dia desses, o comando do Atlético, com Mario Celso Petraglia, Sallim Emed e o advogado Luiz Fernando Pereira, foram surpreendidos. A Fomento recuou e através do seu diretor jurídico e de riscos, Samuel Ieger Suss, comunicou ao Atlético de que não concordava mais com a divisão nos termos negociados, inclusive com a participação do governador Beto Richa. A relação imediata entre Petraglia e Samuel foi ambientada em tensão, quase em reações físicas.
Esse fato já é do meu conhecimento há 20 dias. Só não o divulguei porque queria saber a motivação da Fomento: se ela há havia concordado, com a Casa Civil enviando uma carta ao municipio, se o Atlético cumpriu a condição de transferir os direitos sobre as quotas de potencial construtivo, qual era a razão para o recuo? Tomei conhecimento de que a Fomento está aguardando o laudo do valor da avaliação da Arena da Baixada. Pela experiência adquirida no patrocínio do processo do Atlético contra a Federação, da rescisão do contrato do Pinheirão, afirmo que o avaliador não se impressiona com as benfeitorias, por mais luxuosas que sejam, dando potencial ao valor da terra nua. O valor das benfeitorias acabam sendo quase desprezíveis.
Se é esse o motivo que a Fomento usa para não formalizar o acordo com o Atlético, seu comprometimento como agente público não será afastado. Já está absurdamente comprometida por atos precedentes. Não teve essa preocupação quando liberou os últimos milhões tendo como garantia a Baixada pela avaliação que ela própria exigiu.
Por hipótese, avaliada a Baixada pela terra nua em R$ 150 milhões (pode ser mais ou pode ser menos), como é que a Fomento vai cobrar o saldo da conta do Atlético? Antes de cobrá-lo, esvaziando a maior instituição esportiva do Paraná, terá que prestar contas ao Banco Central e ao Tribunal de Contas. E não será conta de somar dois mais dois.
Da forma como as coisas foram conduzidas pelos “gênios” da Fomento, cria-se uma situação inusitada: a obrigação de receber do governo Richa é muito maior do que a obrigação do Atlético em pagar.