Recomeço

Sem perceber, o Atlético parece inspirar-se no poeta Mário Quintana: “Nada jamais continua, tudo vai recomeçar”. Hoje, na Baixada, contra o Cruzeiro, o Furacão vai tentar recomeçar a sua vida nesta temporada, que já está indo para o seu termo final.
O recomeço, aqui, não tem nenhum caráter de romantismo que a expressão sugere. É um fato rude, que se confunde à falta de planejamento, que pelas circunstâncias ganha o sentido de irresponsabilidade administrativa.

Só que esse novo recomeço tem um elemento diferente: o tempo. Não há mais tempo. Não se pode mais transigir com o erro, com a derrota e com a retórica populista sempre impressa na palavra do presidente.

Menos mal que este recomeço terá Cristóvão Borges no comando técnico, embora seja o único rubro-negro que não tem a carga de responsabilidade mesmo sendo a vitória a única opção.

Uma vitória hoje sobre o Cruzeiro, que por ser na Baixada estaria no campo da lógica, irá acalmar os nervos da torcida. E, assim, o jogo contra o Corinthians ganharia caráter de normalidade. Bem resumido: o Furacão precisa é afastar a pressão que surge com a derrota como regra.

Esquecimento

A pergunta é: Ney Franco usou essa folga, também, para ganhar consciência de que muitos erros do time do Coritiba nos últimos jogos tiveram origem no banco? Contra Cruzeiro e Atlético-MG, a derrota foi, também, consequência dos equívocos de comando. Se o treinador tirou o tempo para pensar nos seus erros, é possível que o Coritiba ganhe do Joinville, em Joinville. É que para enfrentar um time em desespero, todos precisam ter consciência. Uma derrota em Joinville não causará apenas um dano matemático. Em grandiosa proporção, causará um dano moral, como causa uma derrota para o lanterna.

De primeira

Amanhã e sexta-feira vou tratar das eleições do Atlético.

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