Realismo

Com uma certa dose de cinismo, como se o que acontece é normal e deva a todo o custo ser superado, mesmo com traumas de morte e denúncias diárias de corrupção.

Por isso, o campeonato segue em frente para atender o poder deste regime de exceção imposto no futebol brasileiro. Sob o domínio desse mal, não existe justiça nesse estado em que recursos são negados no protocolo, e as decisões são tomadas sem a adoção do princípio da legalidade.

O campeonato só vai terminar em razão do poder que impõe soluções, que não são necessariamente justas e legais, criando o pavor de reação de quem por elas são alcançadas. Os dirigentes de clubes é que são os responsáveis porque todos, por múltiplos motivos, direta ou indiretamente têm medo do poder central por compromissos antigos, e pela dependência futura.

Já rodados, por princípios é verdade, mas também por teimosia, continuamos dando crédito ao futuro. Acreditamos, ainda, que são fatos eventuais, e que amanhã será diferente. Então criamos a ilusão nesses jovens, que incentivam o futebol como um sentimento puro e sem trapaças. Enganados, enganamos.

Confesso que não me sinto à vontade para escrever sobre o futebol como um valor interior como foi um valor de vida. Peguem o menino que torce pelo Coritiba como exemplo. Imagine-o vendo na televisão ou ouvindo no rádio o jogo contra o Botafogo, sabendo que o seu time não pode perder sob o risco de rebaixamento. Torce, sofre e se ilude que a vitória ou a derrota significará a verdade ou a mentira.

Hoje tem futebol.

O mesmo futebol que pune e absolve de acordo com o interesse.

Por conta da paixão, podemos até absorver este estado. Mas não nos fazer mais de bobo.

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