Na Baixada, pelo Brasileiro, Atlético 1×3 Palmeiras.
Para explicar o resultado e o jogo, faço um convite ao leitor, ao atleticano em especial: ingresse no campo da imaginação, coloque os mesmos times que jogaram ontem, na mesma Baixada, e com os mesmos técnicos. Acertou: o Palmeiras, outra vez, ganhou de 3×1. Continue nesse campo, caro atleticano: imaginem um outro jogo, e outro, e outro. O resultado será o mesmo: Palmeiras 3×1.
A liberdade que eu tomo em pedir ao leitor de transportar esse jogo para o campo da imaginação, tem limites. Não pedirei para ir ao campo dos sonhos. Nós temos controle sobre a imaginação, mas somos alienados em jogo de sonhos. Um desses jogos imaginados, aparecendo no sonho Carleto e Camacho (não há nada pior) e Guilherme (o exemplo da preguiça), pode transformar-se em um pesadelo. Seria inevitável que o Palmeiras marcasse dois ou três dos gols perdidos no segundo tempo, e o jogo terminasse assim: Palmeiras 5×1.
A razão que o Atlético perdeu o jogo real e perdeu todos os jogos imaginados, está em um princípio indisponível no futebol: a lógica não recebe nenhuma influência negativa, é invulnerável, quando é grande a diferença de qualidade individual dos jogadores. A diferença entre esses Palmeiras e Atlético é descomunal.
Lembre-se do jogo. Tudo o que os jogadores atleticanos quiseram fazer (e alguns até se esforçaram), Lucas Lima, Diogo Barbosa, Dudu, Bruno Henrique, Keno, Felipe Melo e Willian fizeram com naturalidade.
Então, a questão não é o resultado em si. Ganhou o melhor. A questão mais importante é outra, é um gravíssimo problema que domina o Atlético há tempos: a vida por fatos eventuais. O atual atende pelo nome de Fernando Diniz, com as suas propostas táticas de modernidade. Entre as suas propostas modernas e as propostas irresponsáveis, o limite é zero. Basta enfrentar um time com o mínimo de qualidade, acontece o que aconteceu ontem.
Eu não culpo Diniz, ainda, em querer ser ambicioso e moderno no comando do Atlético, embora ele pense que está no Audax. O que eu culpo é fazer o papel do patrão, e para isso, ignorar que esse time não tem qualidade, e que por isso, é impossível adaptá-lo a uma ordem que reclama no mínimo de bons jogadores.