Quando um treinador, no final dos primeiros 45 minutos, esgota o limite de substituições, sem ter motivo de ordem física, oferece prova definitiva de que já não sabe mais o faz. A consciência dos limites torna-o intempestivo. O Atlético empatou ontem na Baixada com Foz, 1×1. Lembrei-me de Mário Celso Petraglia e não foi para usá-lo como tema de crítica, embora tenha responsabilidade direta. Lembrei quando ele, antes da eleição, em uma reunião, negou ser candidato e disse: “Nós não sabemos fazer futebol”. Petraglia tem razão: o Atlético, a cada ano que passa, é a prova de que a grandeza da estrutura material nada vale se não tiver capacidade (e nela está incluída a humildeda de saber os limites) para fazer futebol.
Os que estavam no futebol quando o ano terminou, são mesmos que continuam. Todos cegos, inclusive o presidente Sallim, preferem olhar pelos olhos de Petraglia, que não enxerga futebol como esporte. Uma avaliação séria e não de conveniência, não iria precipitar a continuidade de Cristóvão Borges, pois o time terminara o ano inseguro. Por não ser capaz em fazer futebol, o Atlético está numa encruzilhada: o problema é Cristóvão no comando, Carneiro e Lara na gerência do futebol, ou as contratações foram erradas, outra vez?
Crise
Se a eleição do Coritiba fosse hoje com a concorrência dos mesmos grupos de dezembro de 2014, os coxas escolheriam o de Vilson Ribeiro de Andrade. É que se ganhou consciência de que o gerenciamento de um grande clube, que tem como objeto social o futebol, tem que diminuir ao máximo os seus riscos. A sua nova crise (até Jacob apareceu) é composta por diferentes elementos, matizes e formatos, que vão da falta de dinheiro à falta de vitórias. Mas, mais grave que a crise financeira e a crise técnica é a de autoridade. Não há outra explicação para o clube permitir que dois funcionários reúnam a imprensa para explicar fatos importantes da sua vida. Isso é desordem por falta de autoridade.