Razão

Caminhando no Barigui, com a camisa de Alex Mineiro, comecei a lembrar da vitória do Atlético sobre o Botafogo: que jogo brilhante, que fez o Furacão. E aí lembrei, que certa vez o amigo Carpegiani me disse: veja o quanto é belo o futebol de um jogador inteligente. Como é encantador o jogo de Cléo.

Larguei as lembranças que me eram leves, e passei a carregar o peso da dúvida: por que o Atlético não tem um brilhantismo linear, como o de agora no Brasileiro?
Não queremos, mas as contradições são tão inevitáveis, que acabam se transformando em elementos na composição da personalidade humana. Às vezes dá-nos lições que nos envergonham, pois mostram o tamanho do nosso erro e que esse erro poderia ser evitado.

A pior das contradições, e uma das poucas que é imperdoável é aquela em que o homem pratica o ato pelo uso indiscriminado do poder. Por achar que sabe tudo, por achar que pode tudo, perde a razão.

O que teria custado ao Furacão fazer no seu futebol, desde o início do ano, o que está fazendo agora? O custo seria apenas o uso da razão, permitindo encontrar bem cedo um técnico como Claudinei Oliveira. Então, teria um time normal, sem improviso, que aprenderia a jogar com o tempo. Mas a razão que se usa no Atlético não é sadia, pois é viciada na origem, porque é imposta, sem que seja conciliada com os mais elementares princípios que regem o futebol, que como esporte depende das ideias para o bem.

Então, surge a maldosa contradição: toda a vez que o Atlético ganha, mais se mostra a incompetência como é dirigido o seu futebol.

Contra o Botafogo voltou a ser brilhante. Cléo, por ser inteligente, fez dois gols e foi o melhor em campo. E o menino Nathan, no segundo gol, mostrou porque é a cereja do bolo.

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