Razão final

Os coxas mereceram ganhar o Atletiba, 1×0. Nem tanto pelo que jogaram (e não jogam mais do que jogaram), mas muito mais pelo que o Atlético não fez (e não faz mais do que fez). O gol de Helder saiu da única forma que poderia sair em um jogo sem qualidade: um chute improvável vindo de longe, que pegou o goleiro Weverton, sem culpa, adiantado. Uma ou outra jogada de efeito de Alex e, de resto, um Atletiba enfadonho, que serviu para tornar objetiva e incontestável a razão pela qual os dois estão lutando contra o rebaixamento.

Mas os coxas ganharam, porque pelo menos atenderam o principio fundamental do futebol: nunca se ganhou um jogo sem chutar a gol.  Mas esse Atlético, que quanto mais treina com Claudinei Oliveira, menos sabe jogar, parece que desconhece a importância do chute a gol. Neste Atletiba não chutou uma única bola: a que Marcelo teve, bateu em sua canela, e da Cleberson foi na trave.

Esse Furacão não foi nada mais do que vem sendo e do que é: um time raso e sem chegada, que força a solução de uma equação impossível, que é fazer um jogo de meio campo com Deivid, que joga no chão e Marcos Guilherme, que tem dificuldades em correr e pensar ao mesmo tempo. E, aí, o treinador cujo forte não é o raciocínio imediato, acaba usando Sidcley, um lateral-esquerdo, na ponta direita.

Só andando, sem precisar correr, Alex foi o único brilho.   

Também, não foi grande coisa, porque brilhar entre os chutões de Luccas Claro, os carrinhos de Deivid e a ineficiência de Marcos Guilherme, o brilho acaba sendo mais um reflexo do que um fato.   

Explicação

Os jogadores do Coritiba escancaram (e com razão) a responsabilidade do presidente Vilson Ribeiro de Andrade pelo atraso de três meses de salários. Vejam bem: a faixa de denúncia não generalizou, ao contrário, separou o clube da pessoa do presidente.

Essa já não é mais a questão, embora seja a mais grave por se tratar de negar alimentos a quem trabalha. Quem o conhece, sabe que Vilson é um homem de princípios. Por experiência de convívio, testemunho ser um homem sério, honesto e solidário. Quem o conhece assim fica chocado com essa sua passividade diante de tão grave problema. O que acontece com Vilson? Teria perdido a capacidade de administrar crise? Está isolado, ou isolou-se? Qualquer explicação que Vilson der por mais razoável que seja não irá convencer. Três meses é uma eternidade para quem trabalha e tem o direito de receber.

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