Razão e ingenuidade

Lá na Ilha do Urubu, numa quebrada da Ilha do Governador, Flamengo 2×0 Atlético Paranaense.

Vejam vocês como o futebol bagunça nossos sentimentos. Nos meus 18 anos, quando saí da arquibancada para ser repórter de rádio e de jornal, não era tão ingênuo como me sinto hoje.

Naquele tempo, quando o Furacão jogava e perdia para o Flamengo, eu consolava a mim próprio com a razão da lógica: o Mengo é o Mengo, convencia-me. Agora que estou indo para o canto do cisne, e já deveria tratar o futebol só com a razão, às vezes, me vejo desenganado pela ingenuidade.

Quero dizer que esperei o jogo de ontem contra o Flamengo, no Rio de Janeiro, cheio de esperança. Afinal, o Furacão estava invicto há cinco jogos. E o que é mais importante: jogando o futebol precioso que não jogara até então nessa temporada. E o Flamengo, imaginei, embriagado pela vitória sobre o Botafogo e próximo do título da Copa do Brasil, iria jogar de corpo encostado. Bobagem da minha ingenuidade.

O Flamengo não só jogou de corpo bem postado, como jogou sério e tecnicamente perfeito no primeiro tempo. Quando vi o placar estava 2×0 com gols de Diego e Arão. O Flamengo fazia um massacre, e como a ingenuidade tem limites, já temia por uma goleada histórica, que Weverton acabou evitando com as defesas no tempo final.

Como ingenuidade tem limite, não afirmo que o resultado foi só em razão do que o Flamengo jogou. O Atlético concorreu com esse estado. Não perdeu porque jogou mal tecnicamente. Perdeu porque teve o pior defeito que o ser humano pode ter: preguiça.

Eis uma grande verdade: o Furacão foi um time preguiçoso na etapa inicial. Seus meias Eduardo Henrique e Guilherme ficaram assistindo Diego e Arão empurrarem bolas para Berrío e Guerrero. Guilherme, então, foi de uma indolência, que fez o povo sentir saudades de Lucho González.

Eis outra grande verdade: na minha santa ingenuidade, senti saudades do argentino. Sem Lucho esse meio parece viver numa vila remota e bem primitiva, que clama pela chegada da luz.

O meio foi tão ruim, que só percebi que Douglas Coutinho estava em campo no lugar de Ribamar nos minutos finais. É que a bola, antes de Rossetto entrar, não chegou uma única vez.

Traição

Hoje à noite, no Couto Pereira, os coxas jogam contra o Vitória. É preciso que tomem cuidado: qualquer time comandado por Vagner Mancini é traidor.

Sempre se faz dominado, e de repente, dá uma estocada. E gol. Jogando assim, à base da traição, o Atlético de Mancini foi à final com o Flamengo pela Copa do Brasil e acabou na Libertadores.

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