Razão de ser maior

Da pesquisa, que a Gazeta do Povo publicou, busco um fato que se afaste dos números que dão ao Atlético a maioria de torcedores em Curitiba. O mais importante é que a grande massa está entre os jovens, o que significa que a supremacia popular não decorre de fatos ocasionais, mas de uma motivação ao sentimento de querer.

A pesquisa não surpreende. Apenas expressa o fato, que sem números oficiais vivia especulado, sob uma aparência que às vezes era rabiscada em razão de campanha técnica, que é eventual.

Bem longe de ser modismo, o Atlético provocou o sentimento dos jovens curitibanos não para simplesmente torcer, mas porque desde 1995 procura ser perfeito, incluindo aí grandeza e beleza patrimonial, e conquistas técnicas de rotina. Em um ano, construiu o maior e mais sofisticado Centro de Treinamentos, construiu o mais moderno estádio do Brasil sob a concepção de uma arena. A partir de atleticanos ousados e das idéias futuristas de Petraglia, deu um tratamento de choque jamais visto no futebol brasileiro.

Manteve a tradição de ter ídolos e torná-los popular. Por exemplo: o exótico Oseas com as suas tranças, Washington com seu ?coração valente?, desafiando os limites da medicina, fazendo de Kléberson, o primeiro e único paranaense a ser campeão do mundo convocado de um clube da terra; e, nessa época de carência de ídolos, o retorno triunfante do excepcional Dagoberto.

E fatos extraordinários ambientados a nível nacional: a suspensão por um ano, que provocou o maior e irresistível movimento popular, que ganhou natureza política, desafiou e tornou submisso o poder intocável da CBF, ao contrário do Coritiba, que silenciou e se tornou passivo perante, quando injustamente foi rebaixado para a segunda divisão; a camisa atleticana eternizada pelo jornal New York Times, em uma cápsula para servir como um dos exemplos no ano três mil de como era o mundo há mil anos atrás; uma torcida extraordinariamente fiel ao clube, mesmo tendo que agir contra o senhorio.

Pesquisa de qualquer natureza tem que ser interpretada. Nenhum número pode ser analisado friamente. Dentro deles, sempre existe uma resposta para a conclusão objetiva. No caso, é fato da maioria atleticana estar entre os jovens. Não significa necessariamente que sejam só filhos de atleticanos, porque existem jovens nascidos de famílias coxas e paranistas. É de se concluir, então, que entre esses jovens atleticanos possam e devam existir filhos de coxas e paranistas, que se renderam a influência das conquistas e realizações atleticanas e principalmente da geração Arena.

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