Em 1969, quando comecei a trabalhar no jornalismo, o futebol paranaense estava em crise por um motivo: arbitragem. Era o tempo da inocência, que permitia acreditar que o erro do árbitro estava embutido nos direitos do ser humano. Quarenta e quatro depois, o futebol paranaense continua em crise por um motivo: arbitragem. Como já se sabe de tudo, não há mais inocência.
A razão sempre picotada em incompetência e corrupção. Ao invés de ser tornada única para que fosse atacada objetivamente, adotou-se a dúvida como solução. Agora mesmo, atribui-se à incompetência de Felipe Gomes da Silva a causa dos erros a favor do Coritiba, no jogo em Londrina.
A imprensa medrosa é assim, quando exigida a firmar uma posição, prefere o comodismo de dar como razão a incompetência, como se no erro da arbitragem nunca existisse o elemento da intenção como o motivador do erro.
Humaniza-se a incompetência como se fosse um direito inerente ao árbitro de futebol. Despreza-se ou ignora-se a verdade de que a incompetência está no mesmo nível da corrupção como trânsito para se alcançar o dano. O fato de um profissional em qualquer segmento ser honesto, não lhe dá o direito de ser incompetente. O incompetente, por não ter preço, é mais danoso que o corrupto.
A má arbitragem está impregnada no futebol paranaense há quase meio século. Não é coincidência de que boa parte desse tempo, seja como árbitro, seja como diretor, vai se encontrar sempre a figura de Afonso Vítor de Oliveira.