Questões finais

A questão não é saber se o time do Coritiba é melhor do que o do Palmeiras. Descontem-se os seus limites, ainda assim, não será inferior. A questão nuclear é a que, nessa decisão da Copa do Brasil, não basta ser melhor. A diferença de dois gols, em uma decisão, é bem maior do que a ideia matemática que sugere. Exige que se alcance um estágio impossível para o ser humano: ser perfeito e, para isso, intolerante com o erro.

É aí que surge a grande dúvida: como subtrair o direito natural ao erro de um time cuja média recente de gols sofridos é de dois por jogo? E, hoje, nada pode ser tratado como natural, nem um gol sofrido, pois o significado de dobra torna qualquer missão quase impossível. Contra o Vasco, em 2011, foi assim. Então como exigir a perfeição de uma zaga com Pereira, Demerson e Lucas Mendes, e sem o seu único bom zagueiro, que é o Emerson?

É desumano, por se afastar dos princípios naturais, mas as circunstâncias a exigem. E não se despreze a história dos times de Felipão em finais: a sua influência no espírito dos jogadores faz com que a fragilidade técnica seja absorvida pela superação.

Nem trato da perfeição que os Coxas devem ter nas finalizações, que hoje se exige como obrigação. Porque se os gols continuarem sendo perdidos como foram em Barueri, as questões perdem objeto, esvaziam-se. Não há time que alcance objetivo perdendo gols. O que eu quero dizer é isso: para ganhar o título da Copa do Brasil, que lhe seria justo, o Coritiba precisa ser perfeito. Se conseguir terá feito o maior jogo de sua história, que terá que receber imediatamente um enredo de lenda.

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