Enganam-se aqueles que discutem as razões pelas quais o Atlético empatou na Arena com o Paraná, em 1×1. A questão é outra, mais provocante. A questão é gravíssima: estaria o Atlético em declínio?

O Atlético de ontem foi pior do que o Atlético de dez dias atrás em Caxias. Lembremos desse seu jogo contra o Juventude: ganhava jogando bem e com folga por três a um no primeiro tempo. Então, o treinador Levir Culpi o recuou, atraiu os gaúchos para uma defesa insegura e deu no que deu, 3×3. E lá se foram dois pontos que já estavam ganhos.

O jogo de ontem na Arena foi uma continuidade daquele de Caxias. Em alguns minutos, pior. E o Atlético só não perdeu porque faltou qualidade para o Paraná finalizar as jogadas que criou. Cristian e Vandinho perderam três gols na cara assustada de Diego. Erros que não são eventuais, criam a continuidade que provoca o declínio. No caso a continuidade se torna gravíssima, na medida em que não importa o lugar, ela ocorre seja em Caxias, seja na Arena. E fase assim, à essa altura do campeonato, pode ser fatal.

O que se passa com o Atlético?

Levir está praticando um terrível equívoco. Passou a privilegiar a defesa sem ordem do que o talento. Empilha jogadores desordenados atrás, provocando um isolamento do meio campo, com conseqüências diretas e funestas para o maior poder do time que é o ataque em velocidade. Já começara errado com Fernandinho no meio. Por ali ele ocupou o mesmo espaço de Jádson. Afogou-se e afogou Jádson. Nenhum dos dois jogou. Sem Fernandinho pela ala, ficou sem saída pelo lado, canalizou o jogo pelo meio e bateu de frente com a marcação paranista.

Ilustremos com os quinze minutos finais do jogo concebido pelo líder: saiu Jádson para a entrada de Willian. Depois, entrou Bruno Lança e foi jogar como zagueiro. E então, o Atlético, que tinha talento para manter-se no ataque, arrastou-se em campo com quatro zagueiros (Lança, Marinho, Fabiano e Igor) e dois marcadores (William e Bahia). Desordenados, foram incapazes de cortar o chute de longe de Messias, que veio de longe para empatar e com justiça, o jogo.

O que passa Levir?

Não seria excessos praticados por posições pessoais, inerentes à vaidade de todo o homem, mas que no comando do futebol é fatal? Tostão teria mesmo razão em sua tese, a qual contestei, de que você não sabe ter relações com a vitória?

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