Psicólogos

A obrigação de ganhar no futebol, às vezes, por ser natural em razão de ser um jogo, é relativa. É quando não se pode ir contra as circunstâncias do jogo em si. Daí, a velha máxima pregada pelo jogador da antiga: no futebol, se ganha, se empate e se perde. Mas há ocasiões, em que a vitória é uma obrigação imperativa, portanto, absoluta.

É o caso do Coritiba hoje, no Couto Pereira, contra o Figueirense. Foi tão mal no primeiro turno, que com Carpegiani ganhou mais de 60% dos pontos que disputou – mas continua sob a ameaça do rebaixamento. E a obrigação ganha contornos definitivos como categoria, sendo aniversário do clube e sendo o Figueirense, um dos seus concorrentes.

Essa obrigação cria um estado emocional, que bem trabalhado, ao invés de originar equívocos pela intranquilidade, gera virtudes pela tensão. Houve um tempo em que os clubes usavam psicológos como motivadores como se a mente do jogador pudesse passar, de repente, por processos em que a sua emoção fosse dissociada das condições de um jogo.

Não existe psicólogo melhor do que um grande treinador. Entre nós, há exemplo clássico: antes da final de 2001, em São Caetano, os jogadores do Atlético estavam esperando a palestra final de Geninho. Eis que surge o histórico treinador, com as faixas de campeão brasileiro. Jogou-as no chão e disse: aqui, estão, as faixas. Vamos ver se vocês merecem vesti-las. Alex Mineiro, Atlético 1×0. O ato emocional de Geninho não teria nenhum efeito se ele já não tivesse intervindo na organização do time.

Em um jogo como esse dos coxas, a presença de um treinador capaz deve ser decisiva. Por já ter vivido intensamente todas as experiências do futebol, Paulo César Carpegiani é desses treinadores capazes: os fatos emocionais confundem-se com a ordem do jogo a ser jogado.

Os coxas devem ganhar do Figueirense.

E além da obrigação, tem um componente que não pode ser esquecido: deixar para resolver a vida no Atletiba da Vila será um pouco desconfortável.

Reação

Integrantes do movimento “Atlético de Novo” não gostaram da crítica que fiz sobre a intempestiva reação à decisão da diretoria do Atlético em jogar o Atletiba fora da Baixada. Não me impressionei com essas reações. Aliás, relendo as críticas, entendo que fui ameno. O movimento deveria comandar uma petição exigindo prestação de contas do concerto que haverá na Baixada. Há quem garanta, de dentro do próprio clube, que o Atletiba daria um milhão e meio líquidos de lucro para o Furacão.

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