Dizem que o dinheiro não traz felicidade, aprende-se com os românticos. Mas acalma os nervos, não cansa de me ensinar o meu querido amigo Gilson Amaro Fernandes.
O que é certo para a vida, também o é para o futebol. Uma vitória em Atletiba não tem só como resultado a alegria pela superioridade da ocasião. Sua importância muito mais de euforia, é psicológica; muito mais do que resultado evolutivo, provoca repouso dos sentimentos. Bem resumido, comparado ao dinheiro, uma vitória, quando não é possível mais perder (era o caso do Atlético) em Atletiba, mais do que felicidade, traz tranqüilidade para seguir um trabalho. Imagine como estaria o ambiente no Atlético, caso fracasse no Atletiba.
Afastando-se dos efeitos emocionais, técnicos e táticos do clássico, enfrenta-se uma questão geral e importante: o Atlético evoluiu? Evoluiu, não há dúvida. O excepcional Fernandinho juntou-se a Adriano, Ilan e Dagoberto, e empurrou o time para frente. Não ganhou da Ponte Preta por falhas individuais da defesa, sistemáticas e crônicas, impossíveis de resolver com os atuais zagueiros. Ganhou do Coritiba porque, além de jogar bem, soube descobrir o amontoado de erros do grande rival. Mas em qualquer situação, não se pode desprezar a dependência de que qualquer sistema tem de Dagoberto.
A influência do craque é tão forte e tão extensa, que repercute em todos os setores do time. No defensivo, inclusive, na medida em que trava algumas intenções adversárias. Domingo, contra o Santos, o Atlético vai provar se evoluiu ou não. Dagoberto vai ter que encarar Alex e André. Do outro lado, estará Diego. Dagoberto e ele são os dois maiores jogadores do atual futebol brasileiro.
Grandioso
É comovente ver o Paraná neste campeonato brasileiro. Sem ter um lugar fixo e escolhido por vontade própria para jogar em Curitiba; injustiçado pelo STJD na perda de todos os seus mandos de campo, foi transformado em um nômade; dispensado por dois técnicos, iniciando cinco vezes um trabalho, vive intensamente o campeonato. Mais é impossível.