Não são fantasmas bailando. São fatos em concreto: mais do que um jogo como fuga da desgraça, o Paraná pode ser usado como instrumento de terceiros interesses. A derrota para o Atlético pode significar o inicio definitivo do seu fim na primeira divisão. O seu rebaixamento vai repercutir imediatamente no esvaziamento do Pinheirão como estádio. Alcança diretamente o interesse da Federação Paranaense de Futebol. É quase exceção, no Tarumã, quem não vive desta fonte de renda. Embora não seja ético, é um negócio.

O fato mais interessante, e que pode se tornar o mais grave, é a influência que Vanderlei Luxemburgo pode exercer neste jogo. Pai de criação do treinador Paulo Campos, maior amigo do empresário Sérgio Malucelli, que é o atual “dono do Paraná”, técnico do Santos, que corre atrás do mesmo título que corre o Atlético, a influência de Luxemburgo não pode ser afastada do jogo. Mas até aí, também, não vejo nada demais. Qual o criador que não ajuda a sua criatura ou um amigo?

O que pode deixar de ser um fato interessante para se tornar um fato grave é que essa influência passe dos limites. Quebre-se o sigilo telefônico de Paulo, vai se descobrir quantas vezes ele falou com Luxemburgo essa semana. Mais do que um par de vezes. Foram várias conversas, longas conversas. O que fará e o que deve fazer. Talvez, tenha dito Luxemburgo: “Sou eu, o teu velho camarada, o bom lume. Sou eu o teu velho deus misterioso. Eu que te quero bem, e que te dei o que há de ti de grande e justo” (Eça de Queirós, Prosas Bárbaras).

O que Luxemburgo mandou Paulo Campos fazer?

Não se sabe. Luxa é um profissional ético: manda jogar e não deixa a marcação ir ao excesso. Mas às vezes a vontade da criatura ajudar o criador muda o rumo dos conselhos.

É ai que Levir Culpi deve intervir. Uma provocação aqui, um chutinho proposital ali, devem ser absorvidos com tranqüilidade pelos jogadores atleticanos.

Agora o Santos vai se vestir até de tricolor.

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