Entendam bem: na resposta formal do Coritiba à Federação Paranaense de Futebol, declarando indisponível o estádio Antônio Couto Pereira ao Atlético, tinha o direito de condicionar o negócio ao pagamento de valores, o que autorizaria até as partes discutirem o preço. Mas não o fez.
Sua diretoria poderia ser populista e negar sob o pretexto de que haveria uma ofensa ao sentimento de rivalidade da sua torcida. Mas não o fez. Foi simples e direto: os seus estatutos não autorizam dispor de bens imóveis, a não ser por decisão do conselho deliberativo convocado para discutir a matéria específica.
Faltou vontade política aos Coxas, não tenho dúvida. Mas por maior que tenha sido, não supera a falta de humildade do presidente Petraglia, do Atlético. Mais do que ninguém, sabe ele que a rivalidade inibe a eventual boa vontade dos dirigentes. Para tê-la, e realizar certos acordos, é preciso ter diálogo pessoal, porque é deste que surgem fatos que permitem a transigência.
Por que o presidente Petraglia não fez o pedido formal diretamente ao Coritiba, para depois sustentar os motivos pessoalmente? Afinal, os Coxas não estão em situação financeira privilegiada, que permita recusar a possibilidade de um retorno financeiro.
Pensando bem, não faltou humildade ao dirigente atleticano. Quando não se é ingênuo, a humildade é fácil esconder. Estou quase convencido de que há outro propósito a ser alcançado.