Projeto final

Como o passado às vezes conforta, embora no futebol pouco valha, vesti a camisa do Atlético, que ganhei do Alex Mineiro, e fui andar no Barigüi. Apesar de Jorge Luiz Borges, o grande poeta argentino estar certo ao escrever que ?quem tem um companheiro nunca caminha sozinho?, caminhar sozinho faz bem. Pensa-se. Não existe melhor companhia do que o pensamento.

A camisa do Alex, é aquela que ele usou contra o Fluminense nas finais de 2001, quando perdendo o jogo em uma Arena aflita, o Atlético virou para três a dois. A camisa me fez lembrar não só os gols de Alex, mas porque foi possível virar o jogo, como foi virado o jogo contra o São Caetano. Contra o Fluminense, sem Kléber suspenso, Geninho escalou o menino Ilan. Quando perdia este jogo e do São Caetano, colocou Souza.

Uso esse passado, que já está se afastando tanto são as derrotas presentes, para mostrar o quanto o Atlético regrediu. Naquela época, Geninho o treinador, tinha Ilan, Souza, Dagoberto, Adauto entre outros reservas; hoje, os últimos recursos são Alan Bahia, Cleverson e Ricardinho.

O Atlético até abril de 2001 construiu o patrimônio atual, e nem por isso deixou de ter grandes jogadores. Existia uma razão forte para a conciliação entre o fluxo de caixa e o fluxo de vitórias: era o comando em que a palavra de um poderia prevalecer, não por sua influência pessoal, mas pelo interesse da maioria para alcançar o valor final que era o Atlético. Quando a última safra daquela época acabou, com a venda de Fernandinho e Jádson, acabou também o dorso do time. Não se revelou um único bom jogador. O que foi revelado pertence ao Atlético sem parceria, é reserva como Alex, para que Danilo que pertence ao enigmático fundo, possa jogar; ou é simplesmente desprezado como o goleador Pedro Oldoni.

Os atleticanos têm que enfrentar de forma transparente uma verdade: a nenhum é dado o direito de se proteger com realizações passadas e com promessas futuras. Primeiro, porque ninguém as construiu sozinho; depois, porque o objetivo final do Atlético é atender a torcida como veículo social.

Está se contando e interpretando erroneamente a história recente. Primeiro, o projeto era de dez anos, mas sob o comando e decisão de um grupo, nem desse prazo precisou porque em seis anos o clube comprou e construiu o CT do Caju, construiu a Arena, ganhou quatro estaduais, comprou o terreno do colégio, foi à Libertadores duas vezes, ganhou dois títulos nacionais (a seletiva e o título brasileiro), e sempre teve dinheiro em caixa. Agora dizem que o projeto é para mais dez anos. Qual a razão se o futuro já chegou, faz seis anos e já está envelhecendo?

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