Projeto em perigo

A torcida do Atlético já foi ingênua. O manto do amadorismo lhe trazia conforto. Uma derrota era absorvida como um fato natural, irrelevante. Certa vez, o saudoso desembargador Armando Carneiro confessou: “Desligo o rádio e fico feliz quando o locutor anuncia que o Atlético entrou em campo. Basta, para eu ficar feliz.” O locutor era o seu filho Carneiro Neto.

A torcida do Atlético continua apaixonada, mas deixou de ser só apaixonada. Com razão, não pode mais se conformar com derrotas como a dessa para o Arapongas. Eu, que às vezes sou ingênuo, e que por isso acredito em algumas pessoas – mesmo com elas não mais convivendo -, continuo sem conforto.

O Atlético joga hoje contra o Corinthians Paranaense, no Barigui. Joga sob pressão. Um novo fracasso, o que não será surpresa, irá exigir providências urgentes. A primeira irá se ouvir da arquibancada: “Queremos treinador”.

E aí, os dirigentes, que renovaram com Sérgio Soares por um ano, no mínimo já terão que rever o projeto. E assinar o recibo de amadores, fazendo o Atlético voltar no tempo.

E mostrando falta de personalidade, o treinador tira um volante. Mas ao invés de Deivid escala Alê, “seu” jogador. E Baier como segundo volante, mandando para o sacrifício um jogador de 37 anos, com o sol das 4 da tarde, ao qual não pode mais ser submetido.

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