Por ganhar consciência de que o futebol não era esporte a ser gerido por amador, o Brasil se profissionalizou. Só esqueceu de formar profissionais capazes de entender a importância desse esporte como um negócio de massas. O que criou foram gerentes de interesses próprios e especuladores de princípios básicos de gestão, sem uma formação acadêmica, técnica e cientifica de administração esportiva.
Nossos clubes são vitimas desse despreparo. O Coritiba sofre desse mal e não aprende – ou, por interesse interno, não quer aprender. A consequência é a de que corre o risco de ir para a segunda divisão pela terceira vez. Porque Ernesto Pedroso era “amador”, foi buscar Valdir Barbosa, especializado em assessoria de imprensa, para comandar o seu futebol. Por não entender de futebol, Barbosa usa o óbvio ao afirmar que o clube “se salva se ganhar as duas em casa”.
Mas não existe exemplo tão clássico como o do Atlético. Apresentando-se como moderno e futurista em gestão, faz do futebol um clube de amigos. Esse ano, a maior estrutura física do futebol brasileira foi entregue a Paulo Carneiro e Márcio Lara. Carneiro não consegue emprego na sua Salvador em razão do seu passado bem complicado, e Lara até ir para o CT do Caju não tinha entrado num vestiário de estádio de futebol. É de se concluir que não sabendo de futebol, não tendo poder politico no clube, foi a forma de acertar contas. Do Paraná nem se pode falar, porque ainda acredita no velho estilo de Vavá, de que as grandes soluções saem em conversa de boteco, tomando rabo de galo, fumando e jogando cartas.
Natural
Ouvi que o time do Atlético parece um bando de feirantes catando a sobra no final da feira. Desinteressados, contam na tabela quantos jogos faltam para saírem de férias. Não concordo. O time do Furacão assumiu definitivamente a sua condição natural, que é aquela que aparece quando desaparece a superação criada pela disputa. Sem motivo, a naturalidade aparece. Sem superação, isto é, ao natural, Vilches, Kadu, Roberto, Sidcley, Hernandes, Barrientos, Delattorre, Hernani, Jadson, Bruno Pereirinha, Cléo e outros são o que são ou o que podem ser.
Para a formação de um bom time, só Weverton, Otávio, Marcos Guilherme e Walter seriam as exceções. Dito de outra forma: nem uma base de time o Furacão conseguiu criar no seu “ano do futebol”.
