Profissional

O futebol é para profissional, não é para amador. É a pregação que se faz há muitos anos no Brasil. Deformou-se essa verdade com a restrição ao conceito de profissional. Em regra, no futebol brasileiro, profissional é alguém que exerce função exclusiva e remunerada.

Ocorre no Coritiba um exemplo clássico da deformação desse conceito, que agora o torna vítima de profissionais. Há quatro anos o seu futebol era dirigido por Filipe Ximenes, que adquiriu um poder incomum e criou mecanismos para obter a confiança absoluta da diretoria.

Nos últimos anos, o Coritiba foi o que mais investiu. Ganhou apenas estaduais, perdeu duas finais de Copa do Brasil – quando era o melhor – não revelou nenhum grande jogador e quando precisou negociar Davi, Emerson, Donizete, Éverton Ribeiro e Rafinha foi incapaz de repor. Não se pesquisou a origem dos problemas físicos e médicos que sagram o time.

Em razão da falta de cultura geral, a gerência profissional no futebol brasileiro limita-se a atos comuns de mercado. Não é raro que as atividades de gerência confundam-se com as de empresário.

O conceito a ser adotado deve ser amplo, sem restrições. A remuneração e a atividade exclusiva são elementos apenas sequenciais de uma cadeia, em que a capacidade, a seriedade e a responsabilidade compõem o núcleo central. É profissional quem é capaz, sério e responsável. A remuneração é simples consequência.

Há no futebol brasileiro o preconceito de que se o profissional não veio do campo ou do vestiário não pode assumir a responsabilidade de comando. Ontem mesmo vieram me contar que o Atlético está pretendendo convidar o jornalista Paulo Calçade, da ESPN, para comandar o seu futebol a partir de 2014. Seria um ato portentoso, pois Calçade preenche todos os requisitos para imprimir o conceito que se exige para definir o que é um profissional.

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