Debates não ocorrem por acaso, são motivados por fatos. O exercício de um cargo no futebol admite recursos retóricos na promoção da promessa ou do próprio fazer. Cria-se a idéia do insubstituível, do deus, do senhor que exerce o poder através da figuração do poderoso por ser político e milionário.

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Quando o senhor Miranda foi eleito presidente do Paraná teve que enfrentar uma comparação, que no fundo o discriminava: era um simples professor vivendo do achado salário de aposentadoria, diferente dos grandiosos Petraglia e Gionédis. Atlético e Coritiba sim, tinham um presidente, era o sentimento e o silêncio que materializavam a discriminação.

Mais do que presidente, teria que administrar uma massa insolvente. Dava pena do Paraná: sem estádio para jogar, obrigando-se à humilhação de jogar no Pinheirão, contas bancárias bloqueadas, ações judiciais de todas as naturezas, crédito futuro de televisão penhorado e, o mais grave, sempre o mais cotado na bolsa de apostas dos que seriam rebaixados. Eu apostei pelo menos duas vezes. E perdi.

Eis o Paraná dois anos depois: o passivo baixou, o clube foi saneado, pois além de pagar, sabe o que está devendo, e não é mais surpreendido por credores, criou a fonte de renda negociando o local de mando, não atrasa salários há um ano, os acordos judiciais são cumpridos, jogou fogo na velha chama tricolor, recuperou o crédito, e a própria tradição do clube sério e organizado. Sem ambições populistas e de fortuna, sem delírios paranóicos, o professor Miranda mostrou que o ideal ainda é uma arma poderosa no futebol.

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Fez todo esse saneamento, sem desprezar a sua torcida: imune ao derrotismo, com um time sem estrelas e estrelismo, fez do Paraná a grande surpresa deste Brasileiro. Encheu o calendário para o próximo ano: Campeonato Paranaense, Campeonato Brasileiro, e a Copa Sul-Americana o esperam. E, agora em janeiro, o corolário dessa surpreendente e majestosa administração: o Estádio de Vila Capanema recuperada de corpo e alma, será devolvida ao povo.

Sabe-se que não fez sozinho, e exatamente está aí a sua grande virtude: por ser simples, é consciente de que o ser humano erra. Então dialogou, aceitou, renunciou posições, decidiu e nunca transferiu responsabilidade por erros.

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Está provado que um clube não precisa de dono, mas de um líder que se faça respeitar pelas suas virtudes pessoais.

Na próxima terça-feira os associados do Paraná irão eleger o novo presidente. Não sei se haverá candidato de oposição. A oposição é sadia, inerente ao Estado de Direito. Mas no caso do Paraná, seria falta de bom senso alguém se opor como candidato contra o querer de toda a torcida, que é a reeleição do professor Miranda. Pior: se opor com fatos contra os quais não existem argumentos.