Processo vicioso

Por ordem judicial, Hélio Cury assumiu a presidência da Federação Paranaense de Futebol e discursou: ?A juíza viu que não havia condições daquela chapa se manter à frente da FPF, que vive um processo vicioso de 22 anos com uma única pessoa no poder?.

No discurso, Hélio deixou uma boa impressão. Como todo aquele que assume por um processo judicial, diz que vai mandar fazer uma auditoria. O mais importante foi a promessa de mudar os estatutos para permitir apenas uma reeleição.

Mas existem algumas contas a acertar com o seu passado de dirigente. Hélio Cury foi o maior cabo eleitoral de Onaireves Moura há 22 anos para a presidência da FPF e para deputado federal. Mas, por isso, está absolvido: o Atlético, em especial, bancou e todos nós da imprensa apoiamos.

Foi vice de Moura, de 1985 a 2003. Pelo cargo que exercia e pela parceria com o ex-presidente desenvolveu um comércio de artigos esportivos na Rua Barão do Rio Branco, que durante duas décadas forneceu a clubes amadores, tendo a FPF como fonte pagadora.

O histórico de Cury não revela nenhum desvio de comportamento. Mas duas décadas com alguém não se pode jogar para debaixo do tapete com uma só vassourada. Precisa ser mais bem explicado, e imagino que Cury o fará.

Teve uma virtude: enfrentou o ?processo vicioso? do qual esteve ligado por duas décadas. Atlético, Coritiba e Paraná não a tiveram. Presume que Cury esteja bem-intencionado, do contrário não levaria Amilton Stival, Eliseu Siebert, Reginaldo Luiz Cordeiro e Daniel Romaniuk da Silva.

De primeira: amanhã escrevo sobre os coxas, como prometi.

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