No futebol, transformar o drama de um time em acontecimento prioritário, é inverter valores. Afirmar que o estado de desespero do Atlético é mais forte do que o otimismo coxa, é ser parcial. Nada é mais importante do que a vitória para subir do que a vitória para não cair, embora o sentimento de cada um é que gradue essa importância.
Bem por isso, o jogo dos coxas contra o Inter é a prioridade. Os dois jogando pela vitória e um objetivo: a vaga na Libertadores. O Inter é favorito. Não só pelo que está jogando, mas, em especial, pela objetiva queda do Coritiba.
E a insegurança do time paranaense aumenta, à medida em que seu treinador Dorival Júnior liberou Carlinhos Paraíba para jogar como quiser. O significado dessa atitude é: o jogador tinha razão, quando reclamava de que as suas funções estavam desvirtuadas pelo esquema. Ao reconhecer o erro, o técnico torna o próprio trabalho inseguro, pois, involuntariamente, confessa erros anteriores.
O Coritiba não deve ser diferente do que foi contra o Atlético. Não deve, porque não pode ser. A sua limitação técnica exige a convenção prioritária da marcação, à espera de um erro gaúcho.
Tradicionalmente, no Couto Pereira, Coritiba e Inter fazem um grande jogo. Lembro-me de um de 1976, no bi do time gaúcho. Inter 1 a 0. O Coritiba, de Hidalgo, foi todo para o ataque, o Inter ganhou a bola com Carpegiani e atacou em massa, projetando cinco jogadores, em segundos, à frente de Jairo. Foi uma das ações mais nobres da história do futebol brasileiro. Perguntem para o capitão Hidalgo, que ele conta bem esse lance.
Obrigação
O que exigir do Atlético hoje em Santos? A vitória seria uma exigência lógica, pela situação temerária a que foi atirado, pelo péssimo gerenciamento no futebol nos últimos anos. Mas como falar em lógica, se o próprio time vem a desmentindo pela sua fragilidade.
A imagem do fracasso contra o Chivas continua violentando os atleticanos. Não a derrota em si, embora ela tenha sido fatal, mas a forma como perdeu, por pura negligência de jogadores que continuam sendo prestigiados, como Danilo e Alan Bahia.
O treinador Geninho tem que provocar resultados. Não se atribui responsabilidade pela atual situação, mas não se pode isentá-lo de erros. Como no Atletiba, quando atraiu o Coritiba para o campo rubro-negro, e contra o Chivas, quando escalou Alan Bahia, manteve Danilo até o final e expôs o time à eliminação.
A proposta de isentar Geninho de qualquer responsabilidade, seria a mesma de afastar a culpa de Petraglia, só pelo que fez no passado. O saudoso coxa Evangelino falou uma vez, e com razão, de que o passado no futebol vale, quando não sustenta o presente.