Primeiro mundo

Na volta, a realidade não é diferente: futuro que era inseguro, agora é inseguro e incerto. O motivo é velho, e com o tempo vai se tornando insuperável: o futebol brasileiro, como um refém indefeso, continua ao alcance do mercado exterior. E, agora, nem precisa do poder de um Manchester United, Milan ou Real Madrid. Basta um estrangeiro qualquer acenar com uma proposta qualquer, o negócio se torna inevitável.

Já não acho que é culpa apenas do interesse do mercado, mas, definitivamente, da pobreza dos grandes clubes do futebol brasileiro. Nenhum, por mais que diversifique as fontes de renda, pode deixar de se submeter à cessão de jogadores. E nem a eliminação de uma Copa do Mundo por mau comportamento técnico e tático altera esse estado: o jogador brasileiro continua sendo a maior atração para o mercado exterior, porque se presume ser o melhor por um preço baixo para os padrões do exterior. A atração tem origem na associação dessa qualidade com o preço. Esse é regateado como alto na negociação, mas se torna irrisório quando o jogador está jogando no exterior.

Voltemos, então, a essa pobre realidade, cujo único conforto é poder revezar os sentimentos que provoca o time do coração. O Atlético joga hoje à noite contra o Fortaleza. Depois de ver a seleção brasileira, conclui de que era feliz e não sabia.

Pelo menos é na Arena, onde durante noventa minutos a ilusão é de que estamos em algum lugar de primeiro mundo.

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