Existe uma espera comovente da torcida atleticana para o jogo contra o River Plate, em Nuñez, Buenos Aires.
Há quem trate esse estado emocional, de fato inusitado, inesperado, e que a comoção é própria de quem pouco teve na vida.
A causa desse sentimento até poderia ser essa, se fosse outra a proposta de vida do Atlético. Mas foi outra: a partir de 1995, o risco passou a ser de grande, e qualquer fato inclusive esse de jogar contra ?os milionários? de Buenos Aires, mesmo que seja a primeira vez, não tem característica de inusitado, porque nada na vida do Atlético, agora, é inesperado.
Não vejo o resultado em si como o fato mais importante, embora vencer o River Plate em Buenos Aires, seja uma vitória histórica para qualquer um, principalmente para quem, como o Atlético, joga lá pela primeira vez. O mais importante é o jogo como o momento da vida de um clube, que não podia ir além de alguns sonhos.
O jogo, à parte, é outra coisa, que pode sugerir grande risco para o time brasileiro.
Ou pode não ser.
O crédito, que o time do Atlético tem por aqui, é rigorosamente igual ao crédito que o atual time do River tem por lá. Grande, mas, às vezes, esgotado.
O futebol do Atlético mais associado ao estado emocional de seus jogadores, do que qualquer aspecto técnico. Se tiver força emocional para buscar equilíbrio em campo, o jogo passa a ser normal para o Furacão.
Despedida
Um dia desses escrevi sobre o Dr. José Cadilhe de Oliveira. Lembrei de sua vida profissional. Orador perfeito, criador de teses no manejo das leis esportivas, foi insuperável.
Escrever a vida do Dr. Cadilhe era fácil. Escrever sobre a sua morte é impossível.
Agora, que o Dr. Cadilhe morreu, todos os advogados na Justiça Desportiva são iguais.