Primeira pessoa

O doutor Sallim Emed, presidente do Atlético, em tom de desafio à maior torcida do Paraná falou: “Quero 30 mil na Arena da Baixada”. A motivação usada é a grama sintética que será inaugurada no jogo contra o Criciúma.

O desafio do doutor Sallim provoca-me para duas questões: o verbo querer, empregado na primeira pessoa (eu quero), quando se trata de uma instituição popular não soa bem. Se não se conhece, a pessoa pode significar soberba e discriminatória, o que não é o caso do presidente atleticano. Usa-se a primeira pessoa quando se está cansado de se esconder na terceira.

A outra questão, e que é a mais importante, é o uso da grama sintética como motivo para desafiar a torcida. Entendo que a alternativa da grama sintética é a solução cômoda para não ser provocado pela obrigação de buscar a solução pela regra geral, que é a grama natural. Não critico a solução dada pelo Atlético porque não sei do problema específico que a motivou. Ao contrário, a enalteço porque uma solução teria que ser dada, pois a grama natural historicamente sempre foi um problema na Baixada. O que eu não aceito é tratar grama sintética como uma grande realização, que por si só deveria atrair a grande torcida.

A torcida do Atlético não precisa ser desafiada. Na história, bateu todos os recordes de todos os estádios de Curitiba. Para ser atraída e ser maior que “os 30 mil”, precisa apenas ser bem tratada: ter time que ganhe e preciso acessível. Não pode é, às vésperas voltar para jogar na Baixada, empatar sem gols com o Jotinha, colocando dúvidas na vitória obrigatória em Cascavel.

Nostalgia

Embora tenha boas lembranças não sou nostálgico. Mas o grande André Pugliesi, jornalista da irmã rica, anda me provocando algumas gerações de torcedores. Contando no site da Gazeta do Povo algumas histórias do futebol (Atlético e Coritiba, em especial) por fotos buscadas no acervo da Gazeta e da Tribuna, Pugliesi vai nos mostrando que a nostalgia, quando não é para criar ilusões, nos faz bem.

E não há forma mais bela de se contar uma história, do que através de fotos.

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