Previsão

O princípio de que a derrota faz parte do jogo está longe de ser absoluto. Depende da derrota. Quando ela é resultado das consequências naturais do jogo, aí sim, é a derrota que forma o princípio. Mas quando ela é consequência dos antecedentes do time, e nada se faz para evitá-la, então se transforma em regra. E, quando a derrota passa a integrar a vida de um time como regra, não se pode dar nenhuma garantia para o futuro.

A derrota, e inclusive o placar (2×0), do Atlético para o Inter no Beira-Rio foi absolutamente normal pelas convenções do futebol: ganhou o time que sobra em qualidade, e influenciado por sua torcida, quase não deixa de ganhar de adversários frágeis.

O grande problema do Atlético é essa imprevisão. Não de resultado, pois sem qualidade é natural que faça da vitória uma exceção. Mas da imprevisão de comportamento, motivo que o submeteu a uma humilhação nos últimos dez minutos de jogo: perdendo de dois a zero, ao invés de procurar por um mísero gol ficou atrás, se defendendo, como se não sofrer o terceiro gol fosse a salvação da própria honra.

E, nem se recorra mais à falta de qualidade individual como argumento. Esse é um fato definitivo. Esse é o time que o Atlético tem, e é com esse time que irá até o fim.

O problema se agrava com o treinador Osvaldo Alvarez, que também concorre para esse estado. Primeiro pela sua insegurança traduzida na demora para alterar; e, depois quando resolve mudar, mostra que nem sempre é um bom observador, principalmente quando o Atlético está perdendo. Só assim se explica a troca de Ferreira por Alan Bahia, ignorando-se Válber para pelo menos tentar um ataque. Aqueles dez minutos finais no Beira-Rio, quando o Inter transformou o jogo em um treino, foram deprimentes.

Agora o ?Furacão? deve eliminar o Paraná na Sul-Americana, porque não pode perder até por três gols, deve ganhar do pobre Santa Cruz na Arena, que pouco irá somar porque todos ganham do time de Recife, e viver do marketing do jogo em Buenos Aires contra o River.

De primeira: O Paraná não precisou jogar bem para vencer o Fluminense, 1×0. Jogou bem menos do que pode, e assim mesmo só conseguiu ser superior em razão da apatia do time de Lopes. Mas como era um jogo para evitar a crise, alcançou o seu objetivo. *** No sábado, o Coritiba se livrou da derrota para a Portuguesa com um gol de Batatinha, no último segundo e de cabeça. Não precisa dizer mais nada.

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