Preguiça

Neste futebol de mercado, quando se perde ou se alcança um objetivo, nada deve se esperar. É que o profissionalismo perdendo todo o ideal passou a ser exercido no limite da obrigação. O alcance da correção de eventual defeito pela superação fica longe. O jogo mais lógico é o sem emoção, quase sempre sem gols.

Na Arena, Atlético e Sport tinham tudo para fazer um bom jogo. Afastados da zona de rebaixamento, não sofrem mais a pressão da vitória.

No entanto, usaram esse estado para dar uma folga à vontade de jogar. Mas a folga foi tão grande, que à certa altura o que se viu foram dois times preguiçosos.

Não existe nada mais triste do que dois times largados em campo, sem vontade. Bem escreveu Nelson Rodrigues, que o torcedor se sente roubado no dinheiro da entrada, quando o empate é o de 0x0. Escrever mais do que quinze linhas sobre um jogo como o de ontem na Arena é enganar o leitor.

Caindo

Fui torcer pelo Paraná. Mas nem bem o jogo começou, desisti. Embora armado por Saulo para atacar no Maracanã, se retraiu. É aquela reação natural de quem não sabe lidar com a obrigação de ganhar. O Maracanã parecia duas vezes maior do que é, para os tricolores. Aos poucos, embora lento, o Botafogo passou a dominar. Ganhou o jogo por 3 a 2, não porque tenha jogado bem, mas, porque o Paraná teve medo de jogar.

Só não entendo por que o menino Giuliano não começa os jogos. Sempre que entra, o time joga pelo menos um pouco. Mas sempre que entra, já é tarde.

Agora o Paraná vai viver a ilusão dos números nesta folga de duas semanas. Às vezes, a demora para o final é mortal. Existem finais que ocorrem antes do fim.

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