Às vezes, a coerência leva à insensibilidade, perdendo a característica de virtude. Não sendo sensível ao clamor do seu povo, o Furacão não aceitou diminuir o valor do ingresso para o jogo de domingo contra o Sport.
Nesse caso específico, o Atlético está absolutamente certo. A solução caso a caso (não gosto do adjetivo pontual), tem natureza populista. E tudo o que é populista, em um dado momento, mais cedo o mais, ganha forma de engano, de mentira e de falsa ilusão.
O erro do Atlético é não querer ou não saber implementar uma politica de sócios, que atenda à todas as classes sociais, inclusive a de pobres.
Já se passou um ano, e o número de sócios varia entre 20 e 22 mil. A Baixada como motivação única de associação já não tem mais o poder de atração, reclamando a influência do resultado de campo. E nenhum clube hoje no futebol brasileiro pode depender do resultado de campo, em razão da carência financeira para investimentos.
Não acredito que Mário Celso Petraglia continue com a mesma posição de 20 anos atrás de que “futebol não é para pobre”. A idade, em regra, nos amolece. Pensando bem, o Atlético não sabe é como implementar essa nova política em razão da falta de capacidade de seu marketing, que há anos não cria uma única mensagem institucional para atrair o torcedor.
A política atual de preço, que ignora a capacidade financeira do torcedor, age como forma quase objetiva de discriminar os atleticanos por classe social. E, aí, impede os de poucos recursos participarem da sua vida como sócios. Um projeto com proposta de execução imediata, que contemple o máximo das classes sociais será mais importante do que um gol de Walter para quem não tem condições de vê-lo.
Motivo
Há sempre uma causa para qualquer de nós ser gordo ou magro. Qual é a causa do peso de Walter? Soube que o ídolo atleticano passou tanta fome quando criança, que quando se tornou profissional de futebol a ter um prato como se fosse o último. E comeu mais, do que Tom Hanks correu como Forrest Gump. O peso de Walter não é em razão de negligência como atleta, mas em razão da fome quando criança. Sugiro como matéria de pauta aos colegas de redação.