A paixão pode ser grande, mas não me conduz a hipocrisia. Se o futebol brasileiro tivesse um comando descompromissado com os interesses políticos, e se a Justiça Desportiva não protegesse as suas decisões casuístas com falta de uma legislação mais punitiva, o Atlético hoje teria uma punição proporcional à violência de suas organizadas. A violência de sua torcida ontem em Joinville, não pode ser tratada como um ato isolado. É uma reincidência autorizada pela omissão de Mário Celso Petraglia, presidente do clube. Não há como dissociar essa omissão do comando com os atos tribais e criminosos que praticam as suas torcidas organizadas. Aconteceu no Atletiba, e não obstante a perda de mando, Petraglia nada fez; repetiu-se em Goiânia, e Petraglia nada fez. Era razoável supor que a falta de censura de Petraglia aumentasse a capacidade destruidora e criminosa dessas claques que vestem vermelho e preto. Por isso, o Atlético tem responsabilidade e culpa: pela lei, por improvisar uma segurança com terceiros sem poder de polícia; e pelos fatos, porque o que aconteceu em Joinville, nada mais foi do que uma reincidência de fatos já ocorridos e incentivados pela omissão de quem deveria agir e não agiu.
O Atlético ganhou o jogo (5×1) e a vaga para jogar a Libertadores. Mas o brilhantismo dessa conquista será absorvida pelas imagens de ódio e intolerância das arquibancadas.
Em um país que imprime caracteres sociais e empresariais ao futebol, independente de legislação específica, um clube por atos de sua torcida seria punido até com perda de direitos conquistados no campo. Se Petraglia não tomar uma posição radical, expurgando hoje as organizadas da vida do clube, alguém terá que tomá-la. Do contrário, mais cedo ou mais tarde, os enlutados serão os atleticanos, que vestem a camisa rubro-negra só por amor.