Pra trás, Brasil

Se o Brasil ganhar do México, o que é provável, não se surpreenda se um superior de Brasilia incentivar um flagrante, que lhe pegue pulando num gol do Brasil. Com o povo nas ruas, são muitos os que já querem a proteção do ufanismo que pode ser provocado por um gol de Neymar, narrado por Galvão. Não importa que essa cena lembre o ditador Médici, o rei do pau de arara, com um radinho no ouvido vibrando com o gol de Carlos Alberto Torres contra a Itália. E podem até cantar a marchinha: “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração. Todos juntos, vamos, pra frente Brasil, salve a Seleção”.

Enganam-se os políticos de que o Brasil ganhando no campo vai sossegá-los. Em 1970, a ditadura cavalgava em cima da mordaça imposta pelo AI-5, da maior Seleção de todos os tempos comandada por Pelé, e da taxa de 9,5% de PIB. O sistema foi salvo, e por isso o incomparável Elio Gaspari concluiu na sua “Ditadura Escancarada”: Pra trás, Brasil. Hoje temos uma Seleção rústica, um pibinho, um estado corrupto que não faz questão de se esconder e uma imprensa livre denunciando apropriação de valores do povo, sob o pretexto de baixar a linha de pobreza.

Nem mil gols de Neymar farão o povo sair das ruas.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google