Postal rasgado

O CT do Caju poderia ter ficado ainda mais belo com a neve que caiu ontem de manhãzinha. Ponho-me a imaginar o descampado no qual se entrincheiram as traves de um gol, forrado de branco. Mais do que belo, o Caju ficaria romântico. Mas perguntei-me: e se a neve foi proibida de entrar no Caju, como se proíbe de tudo nos dias de hoje, e agora, até de jogar futebol? Ter-se-ia rasgado o mais belo postal de Curitiba.

A neve não tornou mais frio ou menos frio o Atlético, porque há tempo está vivendo abaixo de zero. Entre os últimos do Brasileiro, sem vencer há cincoenta dias, parece ter perdido a alma. Ontem mesmo anunciou um atacante vindo do Brasil de Pelotas, da quarta divisão.

Ambientado nesse clima, joga na Vila Capanema contra o Paysandu, de Belém, pela Copa do Brasil. Deve ganhar mais por obrigação do que por condição. O cumprimento da obrigação, no futebol, implica em estabelecer os limites. É quando se usa a obrigação para retardar o inevitável, que quer dizer: enganar, iludir. O Furacão deve derrotar o semiamador Paysandu, seguir em frente, mas deixando seu torcedor encucado: há vida futura na Copa do Brasil?

Final

Hoje, o Atlético Mineiro decide a Libertadores com o Olimpia, do Paraguai. Os rivais destacam que esse é o Atlético do Brasil. História por história, o Atlético daqui é maior. O Galo, como o Furacão, tem um título nacional e tem uma final de Libertadores. As igualdades param aí. E aí surge a grande diferença: o nosso Atlético tem a Arena da Baixada, e o Galo joga em estádios emprestados. A ideia de que o Galo é maior não é em razão da história esportiva, mas da grandeza da história política, econômica e cultural de Minas Gerais em relação ao Paraná.

Para ser campeão da Libertadores, o Atlético Mineiro precisa de um atleticano rubro-negro e um curitibano: Cuca.

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