O espanhol Baltasar Gracián y Morales escreveu uma ponta de prosa que, bem aprendida, nos serve de lição eterna: não há maior vingança do que o esquecimento.
O cartola Mário Celso Petraglia, talvez por descuido próprio, às vezes assume a condição de mortal. E como todo mortal, já desconfortável pelo esquecimento, pois nunca mais se falou dele no noticiário do Furacão, faz coisas improváveis: na sexta-feira, com uma humildade surpreendente, própria de quem tem pavor de ser esquecido, aceitou ir à redação da Gazeta do Povo falar aos internautas. No caso, o improvável não é o fato de ter ido, mas de ter voltado à mídia através da “pior imprensa do Brasil”, adjetivo com o qual trata a imprensa esportiva de Curitiba. E foi recebido de braços abertos. Petaáglia não deveria ser convidado. E se convidado, deveria ter em casa. Certa vez, quando os aliados discutiam o melhor local para o desembarque na França, do “Dia D”, perguntaram a Franklin Roosevelt, por que De Gaulle não havia sido convidado? Respondeu: “Foi. Está no porta-retrato. Ali, é o maior estadista do mundo e vai ganhar a guerra”.
O cartola Petraglia deixou bem claro os limites da motivação para ir à entrevista: debater a Primeira Liga e a revolução do futebol brasileiro, excluindo expressamente o Atlético como tema. Dito de outra forma: falando como administrador da Primeira Liga, assumiu a condição de “cartola de porta de estádio”, que é o executivo, que negocia a venda e a compra, com benefícios sob o mínimo risco de perder. E nesse campo, que não se exige conhecimentos de futebol como ciência de jogo, Petraglia mostrou mais uma vez que é insuperável, porque para enfrentar o mesmo sistema com qual sempre transigiu durante 20 anos, tem que ter caráter mutável. Se deixarem sob a sua custódia a Primeira Liga, em pouco tempo teremos a Liga Nacional. E, aí, o futebol brasileiro estará a salvo.
Paciência
O treinador Cristovão Borges pede que os atleticanos tenham paciência com o jovem Marcos Guilherme. Talvez, Cristóvão não saiba, mas paciência é que não falta para a torcida, pois o jovem já vai para a sua quarta temporada como profissional sem mostrar evolução. Eu entendo que Marcos é vítima do sistema tático adotado no Furacão, que sempre o recua pelos lados ou pelo meio tendo como primeiro objetivo a marcação. Quando joga mais avançado, perto da área, mostra ter qualidade. A culpa, então, não é de Marcos Guilherme, mas dos treinadores. Inclusive de Cristóvão.