Carlos Gardel e seu amigo brasileiro Alfredo Le Pera voltavam do Hipódromo San Isidro, em Buenos Aires, lamentando que por “una cabeza” o cavalo Lunatico perdeu o páreo. Compuseram em 15 minutos “Por una cabeza”, o tango que Al Pacino dança em Perfume de Mulher.
A lembrança me provocou na volta da Baixada. O Atlético havia acabado de virar o jogo com o Atlético-GO, 2×1. Falando sozinho (o atleticano já está nessa fase) lembrei que com dois golpes de uma cabeça, a do argentino Nieto, o Furacão afastou uma derrota que seria mortal.
A história parece ter sido extraída de um tango argentino: drama, desespero e paixão.
A vitória? Simples de explicar. Quando Antonio Lopes lembrou de acender a vela para Deus, excluindo Fransérgio, e dando ao time uma organização racional no meio campo, as coisas começaram a mudar. Mas mudaram mesmo no intervalo. Meus tempos de repórter, me ensinaram que o vestiário é o lugar onde os jogadores se recolhem do mundo exterior. Ali não há segredos, cada um depende dos outros. Todos dependem do técnico.
Lopes mandou a marcação avançar, Vagner Diniz jogar na frente e Guerron pela esquerda bem aberto. O que se viu foram impressionantes onze minutos. Duas bolas, de Guerron e de Diniz, foram para cabeça de Nieto, e então, o drama ao invés de terminar, começou. A jogada de ataque que obrigava Nieto a jogar por baixo e de costas para o gol, passou a pegá-lo de frente. Caixa, duas vezes.
Quando se está perdendo jogando mal, tem-se um conforto. Quando reverte em um tempo improvável, parece golpe ilusório. E daí até o final, vive-se uma eternidade.