Na Baixada, pelo Brasileiro, Atlético 1×0 Vasco da Gama.
Se um argentino aparecer por aqui e me perguntar como anda jogando pelo Atlético Paranaense o meia Lucho González, aos 37 anos de idade, responderei: Lucho joga como continua cantando Carlos Gardel, cada vez melhor a cada quinze minutos.
Não sei se é ignorar a história ou se é bloqueio de memória, mas confesso não consigo despertar nenhuma lembrança do Lucho do passado. Já nem sei se o passado de Lucho foi aos 15, aos 25, aos 30, ou se está começando, agora, aos 37 anos. Seu futebol encanta tanto que o seu passado confunde-se com o presente.
O Atlético venceu o histórico Vasco da Gama e eu estou aqui a render homenagens a Lucho González, dirão os atleticanos. Mas, pergunto: o esquadrão de Tiago Nunes venceria sem a jornada de Lucho González? Lucho foi tão profundo e foi tão extenso, jogando atrás, no meio e na frente, que tenho minhas dúvidas. Lucho foi o resumo do Atlético: brilhante, emocionante, fatal.
Mas o Atlético não foi só Lucho González.
Foi a sua melhor versão, contra um Vasco sem temor, no melhor jogo da temporada em Curitiba. Em um ambiente sério, sem o festivo Flamengo ou o reserva Grêmio, o Furacão teve que fazer o seu melhor jogo tático, individual e, ainda, usar a alma como recurso. Um jogaço inesquecível.
A vitória justa foi por uma cabeçada de Raphael Veiga, no cruzamento de Léo Pereira, avançado como meia. É isso: “Por una cabeza” é a maior obra de Gardel. Gardel me lembra Lucho González, Lucho foi Atlético. Pena que esse concerto de Lucho do Atlético foi em uma Baixada vazia, com apenas 12 mil torcedores, o que prova o esvaziamento popular do Furacão em razão do sistema de biometria que trata o torcedor como gado.
Bem depois de Lucho, o melhor, vejam só, foi Léo Pereira.
Essa é uma coluna em homenagem ao atleticano Fernando Paulino Silva Wolff Filho.