Um bom Coritiba no Couto Pereira virou do avesso o Furacão, deixando-o na zona de rebaixamento. Uma vitória simples (1×0) quase sempre pode sugerir um equilíbrio. E pode ser, também, em Atletiba, resultado do acaso. Desta vez, nada mais falso.
Simples, humildes, quase convencionais, mas bem organizados por Pachequinho, os coxas usaram um esquema cujo principal argumento foram variantes para fazer um jogo de evolução contínua em direção ao goleiro Weverton. Estavam tão à vontade, que até parecia um fato natural. O meio campo com o excelente Galdezani ficava mais forte e mais lúcido com o recuo de Kleber. Os setores juntavam-se e formavam um todo.
O Furacão até que estava salvando as aparências, ambientando o jogo em equilíbrio. Mas, então, o seu treinador Eduardo Baptista tratou de arrumar a vida coxa, dando-lhe uma mão: se queria usar Douglas Coutinho (era desnecessário), não tinha nenhum motivo para tirar Nikão, que naquele momento era o melhor jogador do time. Se tinha que sair alguém, era Lucho González, que perdera a função com a pressão coxa, e já cansado, trançava as pernas como se tivesse dançando o tango de Gardel “Por una Cabeza”.
Mas, saindo Nikão, o time ficou vazio, escancarando ainda mais as suas limitações. O Coxa, que era para ter marcado com Henrique Almeida, livre de Nikão, marcou no segundo tempo, com o zagueiro Márcio, que de cabeça, em supremacia à Thiago Heleno, desviou a bola que veio de falta da direita cruzada por Tiago Real.
Logo depois, Baptista deu a outra mão ao Coritiba: querendo corrigir o erro ao tirar Nikão, colocou Gedoz no lugar de Rosseto, que jogava por ele. Gedoz entrou tão perdido, que parecia não ter se curado da última farra.
E, assim, nos últimos quinze minutos, mais pelos defeitos atleticanos, o Coritiba controlou o jogo, teve a chance do segundo gol com Kleber, e manteve a vitória, sem nenhum trauma.
Para o Atlético só ficaram traços. Não havia ninguém (e não há) para enfiar um passe e os atacantes estão com o prazo de validade vencido.
Todos os rubro-negros sairam chamuscados do Couto: o técnico Baptista, porque errando, picotou a esperança da torcida na recuperação do time, o gerente Autuori porque, usando um cheque em branco, trouxe Grafite, Gedoz, Luiz Henrique, Eduardo da Silva, Ederson, Douglas Coutinho, que não fazem gols, e Carlos Alberto e Guilherme, que não jogavam; os jogadores que parecem e, Mário Celso Petráglia, porque acha que o Furacão não é vulnerável estando em penúltimo lugar. Mas esse é um outro assunto, para amanhã.
Bem resumido: o Coritiba fez tudo certo e o Atlético fez tudo errado.
Em um jogo sem destaque individual, o melhor deve ser quem o decidiu: Márcio.