Popularidade

A obsessão pelo poder confunde conceitos. Prestígio e popularidade, objetivamente, são de natureza e conteúdos diferentes, dispensando qualquer investigação. O prestígio está ao lado do respeito que se tem por uma pessoa. É possível ter prestígio e respeito e não ser popular. A popularidade decorre da atuação pública, que não encampa necessariamente o prestígio no sentido de respeito. Por isso, é possível ser popular e não ter prestígio.

Trato deste assunto, a propósito das eleições do Conselho Deliberativo do Atlético. De um universo de 3.200 sócios, apenas 286 votaram. Do total votante, sete foram em branco.

Justifica-se que eleição com chapa única não provoca o interesse dos eleitores. Mas não se trata de uma singela chapa única. Era a chapa que tinha no seu comando o maior homem da história do clube, Mário Celso Petraglia. O razoável seria o sócio sentir-se obrigado moralmente a votar, elegendo-o.

A ausência de 91 por cento dos sócios prova que o torcedor, embora apaixonado, não é ingênuo. Embora respeite o que se fez no passado, não quer dele se tornar refém. A mudança de rumo na política do Atlético não foi explicada. A única não convenceu, porque o rodízio de pessoas como argumento seria aceito, se não fossem pessoas com ligações íntimas. Deu certo até abril de 2001, porque o critério fazia revezar pessoas independentes, cujo único compromisso era com o bem do Atlético.

A ausência dos sócios teve motivos. O esvaziamento do futebol para competir, provoca tristeza. A ameaça da setorização dos lugares da Arena, com o aumento do preço dos ingressos, o que discrimina as pessoas por classes sociais, provoca temor. A promessa não cumprida de que a Arena seria finalizada a partir de abril de 2002, e principalmente a declaração de que os atuais administradores não tiveram competência para negociar a posse do terreno, provoca desconfiança.

Já escrevi que a eleição foi um casuísmo político. Pelas novas disposições do novo Código Civil não teriam ocorrido. No entanto, embora casuística, foi legal.

Por isso surge uma terrível dúvida: como um conselho que foi eleito por apenas nove por cento dos sócios, pode eleger um conselho de administradores de um clube que tem a maior torcida do Paraná?

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