Ponto comum

João Havelange era intocável no futebol mundial. Até que os ingleses quebraram o sigilo de um processo na Suíça e provaram que ele era corrupto. Havelange renunciou a presidência honorária da FIFA, teve seu nome banido do Engenhão, e hoje está escondido no Rio de Janeiro.

Ricardo Teixeira era intocável no futebol brasileiro. Até que os ingleses provocaram a revogação de uma liminar que obrigava sigilo em um processo na Suíça e provaram que ele era corrupto. Teixeira renunciou a presidência da CBF, e hoje está escondido em um canto do Uruguai.

José Maria Marin era intocável no futebol brasileiro. Até que os americanos provaram que ele era corrupto recebendo o dinheiro que deveria ser dos clubes. Marin está preso em Zurique, teve seu nome banido da sede da CBF sabendo, aos 83 anos, que o seu destino é uma prisão dos Estados Unidos. 

Joseph Blatter era intocável no futebol mundial. Até que os ingleses provaram que tinha benefícios com a corrupção usando o secretário Jerôme Valcke como seu operador e a Justiça americana passou a investigá-lo. Para não ir preso em uma das suas viagens, renunciou, com a marca de corrupto.

Entre Havelange, Teixeira, Marin e Blatter sempre existiu um fato em comum: usando do pretexto de que o futebol era um negócio particular, impedindo a intervenção estatal, em especial da Justiça, criaram uma rede de corrupção que repercutia diretamente em prejuízo do torcedor.

No futebol brasileiro há dirigentes que têm esse ponto em comum: sob o pretexto de que os clubes são pessoas jurídicas de natureza privada, dele se valem para fazer um negócio de familia. Criam mecanismos que se tornam praticamente irremovíveis.

Eu volto ao assunto com casos específicos do futebol brasileiro. O mais clássico bem próximo de todos nós. Agora me lembrei de que o Furacão como líder joga contra o manhoso Figueirense, na Baixada.

Acredito que Milton Mendes além de ter estrela, é um treinador lúcido. Irá manter Cléo, agora ao lado de Walter: à inteligência daquele vai unir o talento desse.

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