Na crônica de ontem escrevi que o futebol perde a graça quando a vitória de um time é previsível.
E, que por isso, o jogo da Arena estava monótono, tamanha a submissão com que o Atlético tratou o Paraná dentro de campo.
Bastou para que alguns torcedores me censurassem; dos tricolores tratando o texto como prática de humilhação; dos atleticanos como uma agressão à vitória.
Às vezes me sinto um pobre incompreendido. Não humilhei o Paraná, mas apenas tratei de sua pequenez diante da obrigação de ganhar por diferença de três gols; e, muito menos (e não tão menos), quis diminuir a vitória atleticana, não por ser do Atlético, mas porque vitória é vitória em qualquer solução. É a única verdade que existe no futebol. Bem resumido, eu quis dizer que a vitória previsível, como era do Atlético, nos dias de hoje acaba com a emoção do futebol.
Não era assim antigamente, e não obstante, a lógica de que o melhor vencia, era bem mais ostensiva. Só que o melhor ganhava, porque era realmente melhor. Hoje esse princípio lógico passou a ser bem relativo, porque o melhor time em campo não se origina necessariamente de ter os melhores jogadores, mas das circunstâncias dos noventa minutos. E dentro delas, rareia o talento, mingua o craque, supre-se a individualidade pelo jogo de força e de marcação.
Por coincidência, ontem o brilhante escritor José Roberto Torero, escreveu em sua coluna da Folha de São Paulo, que os chatos estão vencendo no futebol. E, que bem por isso, não é possível assistir todos os jogos até o seu final. O conceito de chato que Torero dá, indo além do jogador sem recursos, alcança em cheio
os treinadores. E esses, para justificarem os esquemas defensivos e a marcação, que confunde peso com violência, defendem-se dizendo, que sem os craques ?os treinadores estão trabalhando com a ponta de estoque?, como disse Emerson Leão.
Não existe excesso na justificativa de Leão. Ao contrário, e mesmo que tenha sido irônico, bate em todas as teorias, que se oferecem para explicar esse estado de calamidade técnica, que há no atual futebol brasileiro. As boas estruturas de alguns clubes, não de idéias mas de natureza material. Constroem-se luxuosos centros de treinamentos (CT do Caju e Toca da Raposa) que criam uma população de jovens, mas não para revelar jogadores para o time, e sim como fonte de matéria-prima para o mercado exterior.
Uma coisa é a vitória, a outra é o jogo.
Agora, os torcedores devem ter compreendido.