Escrevi aqui que o Atlético não pode transigir com o seu direito de repreender a violência dentro da Baixada. Se a forma que entendeu correta é o esvaziamento das torcidas organizadas, tem que ser respeitado. 

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Mas esse direito para ai. O que não pode é querer calar o torcedor que se manifesta contra o senhor do clube Mário Celso Petraglia. Embora não o diga expressamente, a carta da diretoria pretende isso: calar a torcida. Quer dizer: o Atlético, com essa carta, quer usar o seu direito de repreensão à violência física para praticar outra violência com o mesmo grau de gravidade, que é a de amputar o direito fundamental da liberdade de manifestação e expressão, que é uma das formas do homem buscar a sua realização pessoal. Bem por isso, a carta do Atlético foi uma grande bobagem: foi mal escrita e com mau propósito.

Quais as palavras que ofendem Mário Celso Petraglia?

Em estádio de futebol, as palavras, as frases e os cantos – mesmo ensaiados – de arquibancadas, não tem sentido de ofensa. No máximo, como no caso do Atlético, são manifestações de defesa contra uma decisão da diretoria, correta, insisto. E, no caso específico daquelas que vão em direção à Petraglia, já perderam o conteúdo repulsivo: comuns, viraram folclore. Um dia, ainda, serão declamadas como uma poesia de amor e ódio.

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A torcida do Atlético sempre foi assim. Nos anos setenta, em Atletiba, Evangelino da Costa Neves, presidente dos coxas, tinha o costume de entrar no campo antes do jogo. O Esquadrão da Torcida Atleticana – o inesquecível ETA – esperava-o para gritar: “Pepino, pepino no …. do Evangelino”. E o querido e saudoso Chinês se derramava de orgulho com sorrisos.

Há outra questão que esses fatos provocam: por que as torcidas organizadas do Atlético viram-se com cantos “ofensivos” contra aquele que ela própria mantem no poder há 20 anos, e o exalta como um divisor da história? Porque não há nenhum dirigente na história do futebol brasileiro, que ofendeu e ofende a sua torcida como Mário Celso Petraglia. Já a tratou como falácia, talibã, traidores do templo e pulhas. Intempestivo, reage contra criticas de torcedores, ofendendo-os.

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E é bom o doutor Sallim ficar quieto.

Porque com árabe é mais fácil fazer “poesia” de arquibancada.