Em “A Marca da Maldade”, a cigana interpretada por Marlene Dietrich se nega a ler nas cartas o futuro do detetive amargo e ambíguo, com seu jeito autoritário, interpretado pelo imortal Orson Welles. “O teu futuro esgotou. Vá para casa, diz ela.

continua após a publicidade

Os atleticanos estão se perguntando: o futuro de Mário Celso Petraglia no comando do Atlético está esgotado? Debates não acontecem por acaso, são motivados por fatos. Pelos fatos, a questão mais importante das eleições para a presidência do Furacão vem em forma dessa dúvida: chega de Petraglia? Incentivar, como solução, o seu afastamento porque o “seu tempo já passou” é simplório demais.

Mais do que simples, é possível afirmar que se estaria estimulando a sua própria vontade: Petraglia não quer mais – sem ânimo, a partir da conclusão da Baixada, e não tendo mais objetivos porque as conquistas do futebol não lhe emocionam, perdeu o pique.

Mas forçar o Atlético a continuar o engolindo e fechar os olhos para os seus equívocos, equivale a anestesiar os atleticanos e sufocar a capacidade da instituição à reação. Manter Petraglia com o poder absoluto seria remeter o maior clube do Paraná à inação.

continua após a publicidade

Entre esses dois caminhos surge a grande questão, que bem analisada deve ganhar caráter dramático: sem qualquer influência de Petraglia, quem teria qualificação para assumir o Atlético?

Mudança de perfil

continua após a publicidade

A resposta tem que partir de um fato incontroverso: o Atlético deixou de ser uma instituição em que deve prevalecer o amor à “camisa rubro-negra” como princípio administrativo. Transformado numa das maiores empresas esportivas do Brasil, o amor pela causa só será relevante se for precedido de capacidade de administrar, que exige geração de recursos financeiros diários para atender o objeto social que são as conquistas no campo, para negociar com o poder público, pagar dívidas da construção e acabar o complexo da Baixada, inclusive o estádio, que Petraglia já não tem mais.
E aí, e com os poucos atleticanos de ponta afastados do processo pelos mais diversos motivos, nenhum desses que se apresentou como candidato tem cacife para ser presidente. E mais grave: olhando dos lados, na frente e por trás de Petraglia, não há, também, ninguém que em se possa confiar.

Estava esquecendo: teimoso, o detetive da “Marca da Maldade” desprezando o conselho da cigana não voltou para casa, indo procurar pelo seu futuro.

Encontrou-o na célebre cena final na ponte do cais do porto, no confronto com o honesto chefe de policia, interpretado por Charlton Heston.

Leia a primeira parte da coluna de Mafuz: Poder I